segunda-feira, 9 de julho de 2012

Preservando os Relacionamentos


Sábado à tarde

VERSO PARA MEMORIZAR: “Quem é a nossa esperança, alegria ou coroa em que nos gloriamos perante o Senhor Jesus na Sua vinda? Não são vocês? De fato, vocês são a nossa glória e a nossa alegria” (1Ts 2:19, 20, NVI).

Leituras da semana: At 17:5-34; 1Co 1:18; 2:2; 1Ts 2:17;3:10

Pensamento-chave: O verdadeiro evangelismo leva a relacionamentos que podem resistir ao teste do tempo e durar pela eternidade.

Durante três semanas Paulo realizou uma série de reuniões evangelísticas em Tessalónica. Foi uma série muito animada, mas incitou a oposição dos líderes religiosos locais e de um grupo de malfeitores. Finalmente, Paulo foi expulso pelas autoridades da cidade, que também procuraram impedir seu retorno.

Esta lição fala das consequências da tentativa de Paulo de evangelizar Tessalónica. Para Paulo, depois dessa experiência, teria sido fácil focalizar a oposição e outros obstáculos do caminho. Em vez disso, a mente dele estava concentrada principalmente nos relacionamentos que tinha desenvolvido com os membros da nova comunidade cristã de Tessalónica.

Paulo ficou triste por não poder permanecer mais tempo com aqueles cristãos. Ele sabia que a brevidade do tempo que tinha passado com eles os tornaria mais vulneráveis ao desânimo e às influências negativas. Não podendo lhes falar pessoalmente, ele foi inspirado pelo Espírito Santo a lhes escrever duas cartas, as quais fazem parte do Novo Testamento.

Domingo

Oposição em Tessalónica

1. Qual foi a principal motivação para a oposição à mensagem de Paulo? Que declarações seus oponentes fizeram para que as autoridades locais se interessassem no caso? Como essas autoridades responderam? At 17:5-9

Quando alguém prega novos ensinamentos e as pessoas ficam entusiasmadas, os líderes e mestres dos outros grupos religiosos podem ficar com ciúmes.

A atenção que antes era dirigida a eles se volta para outros. Como resultado, eles podem se comportar de forma irracional a fim de reduzir a influência do novo mestre.

De acordo com o historiador romano Tácito, pouco antes dos eventos descritos em Atos 17, surgiu um conflito entre os judeus de Roma sobre um homem que Tácito chama de “Cresto”. Esse termo provavelmente reflita uma incompreensão romana do conceito judaico acerca do Messias, ou, em grego, “o Cristo.” Aparentemente, a pregação do evangelho, realizada por alguma pessoa, tinha dividido a comunidade judaica de Roma.

Para os oficiais romanos, o debate sobre o Messias soava como preparação para o estabelecimento de um novo rei no trono de Roma (At 17:7). Provavelmente, por essa razão, o imperador tenha expulsado todos os judeus de sua capital (At 18:2). Alguns desses exilados se estabeleceram em Tessalónica, ou passaram por ali, levando o conhecimento desses eventos para a cidade. Visto que o evangelho havia colocado de cabeça para baixo o mundo dos judeus de Roma, os líderes religiosos de Tessalónica estavam determinados a impedir que algo semelhante acontecesse ali.

Tessalónica era governada por um conselho municipal possivelmente de cinco ou seis “prefeitos” que tomavam decisões em grupo. Essa organização permitia considerável independência em relação a Roma, o que eles não gostariam de perder. Nessas circunstâncias, o comportamento dos oficiais da cidade foi bastante impressivo. A semelhança com os acontecimentos recentes em Roma poderia ter exigido severa punição física para os novos cristãos. Em vez disso, os líderes da cidade responderam de forma imparcial (compare com At 16:22-24). Eles se certificaram de que Paulo e Silas deixassem a cidade (At 17:10). Também exigiram uma quantidade significativa de dinheiro dos novos cristãos como garantia de que Paulo não seria causa de novas perturbações. Então, os líderes permitiram a saída de todos.

O ciúme e a inveja podem nos destruir. O que podemos aprender com a vida e os ensinamentos de Jesus para nos ajudar a vencer esses sentimentos fatais?

Segunda-feira

O episódio em Bereia

A perseguição pode ser uma via de mão dupla. Muitas vezes, ela é provocada pela calúnia contra os que não fizeram nada de errado. Mas também pode ser provocada por ações inadequadas dos cristãos (1Pe 3:13-16; 4:12-16). É muito provável que o tumulto em Tessalónica tenha sido motivado não só pela inveja dos adversários de Paulo, mas também pelas ações inadequadas dos novos crentes. As duas cartas aos Tessalonicenses revelam que Paulo tinha grandes preocupações acerca do comportamento público inadequado de alguns cristãos.

Paulo exortou os cristãos de Tessalónica a viver de modo tranquilo e a se comportar adequadamente entre os vizinhos gentios (1Ts 4:11, 12). Ele aconselhou os rebeldes entre eles (1Ts 5:14). Ordenou que eles se afastassem dos que andavam desordenadamente (2Ts 3:6, 7). Observou que alguns membros da igreja não apenas andavam de modo desordenado e ocioso, mas se haviam tornado “intrometidos” (2Ts 3:11). Assim, alguns membros eram um incómodo não apenas para a igreja, mas também para a sociedade. A perseguição em Tessalónica foi perversa, mas houve também comportamento censurável entre alguns novos cristãos.

2. Qual foi a diferença entre a experiência de Paulo em Bereia e em Tessalónica? O que aprendemos com essa diferença? At 17:10-15

Os bereanos estavam ávidos para conhecer mais sobre Deus e para entender melhor as Escrituras. Mas, embora tivessem ouvido com muita receptividade, eles também punham à prova tudo o que ouviam dos apóstolos com base no que encontravam em seu próprio estudo do Antigo Testamento.


Esse é um exemplo para nós. Podemos estar abertos a novas ideias, mas devemos sempre confrontá-las com base nos ensinamentos da Bíblia. Temos muitas coisas para aprender e muitas para desaprender. Ao mesmo tempo, devemos ter cuidado para evitar erros, uma vez que eles nos afastam da verdade.


Ainda que perturbadores de Tessalonica logo tivessem se intrometido na situação de Bereia, os judeus ali não fecharam a mente para a nova mensagem. Na verdade, “creram muitos dentre os judeus” (v. 12). Embora tivessem achado oportuno que Paulo seguisse para Atenas, permitiram que Silas e Timóteo permanecessem em Bereia a fim de incentivar e fortalecer os novos crentes.

Que exemplos temos em que a igreja cristã agiu de maneira claramente errada? Que lições podemos aprender com esses erros? Comente com a classe suas respostas.

Terça-feira

Em Atenas

De acordo com Atos 17:14-16, Silas e Timóteo ficaram em Bereia, enquanto Paulo foi acompanhado até Atenas. Paulo instruiu seus acompanhantes a fazer com que Silas e Timóteo se juntassem a ele em Atenas, mas não há nenhuma menção de que eles tivessem feito isso. Por outro lado, em 1 Tessalonicenses 3:1, 2, vemos que Paulo enviou Timóteo de volta de Atenas a Tessalonica. Assim, pelo menos Timóteo parece ter se unido a ele ali por um curto período.

3. Ao falar aos judeus em Atos 17:2, 3, Paulo começou com o tema do Messias no Antigo Testamento. Ao falar aos filósofos pagãos de Atenas (At 17:16-34), em que ponto ele começou? O que podemos aprender com essas abordagens diferentes?

Em lugar de ter simplesmente entrado em Atenas, ido até o Areópago (também conhecido como Colina de Marte) e envolvido os filósofos ali, Paulo primeiramente andou pela cidade durante algum tempo e fez observações. Ele também envolveu os judeus de Atenas e alguns gregos da sinagoga de lá. Além de evangelizá-los em sua maneira habitual (At 17:2, 3), ele também deve ter aprendido sobre a cultura dominante na cidade. O primeiro passo em qualquer esforço missionário é ouvir e aprender sobre a fé e os pontos de vista das pessoas que estamos tentando alcançar.

Paulo também passou algum tempo no mercado de Atenas (que ficava abaixo e à vista do Areópago, ou Colina de Marte), argumentando com todos os que estivessem dispostos a conversar com ele. No processo, ele provocou a curiosidade de alguns filósofos epicureus e estóicos, que o convidaram para discursar a eles no lugar tradicional para tais discussões.

Ele começou seu discurso aos intelectuais de Atenas com observações sobre sua cidade e religiões. Seu ponto de partida teológico foi a criação, um tópico em que tanto ele quanto eles estavam interessados. Em contraste com sua abordagem à sinagoga, ele não defendeu sua causa a partir das Escrituras, mas a partir de escritos com os quais eles estavam familiarizados (At 17:27, 28 ecoa e cita escritores gregos). Mas quando ele entrou no território que ia além dos limites em que eles estavam intelectualmente à vontade, parece que os filósofos encerraram abruptamente a discussão. Alguns indivíduos, no entanto, continuaram a conversar com Paulo e se tornaram cristãos.

Compreendemos bem as opiniões e crenças dos que nos cercam? Por que é importante conhecer um pouco dessas coisas enquanto procuramos testemunhar?

Quarta-feira

Chegada a Corinto


Atos 18:1-18 contém duas importantes intersecções com a história secular. A primeira é a expulsão dos judeus de Roma durante o reinado de Cláudio (At 18:2). Informações de fontes extrabíblicas colocam esse evento em 49 d.C. A outra importante intersecção é a menção do procônsul Gálio (At 18:12). Visto que os procônsules em Corinto eram nomeados para períodos de um ano, a informação de inscrições e outros dados indicam que o mandato de Gálio ocorreu entre 50 e 51 d.C. Estudiosos críticos, muitas vezes duvidam da historicidade do livro de Atos, mas há muitas referências casuais como essas que confirmam sua descrição da história.


Timóteo deve ter viajado de Tessalonica para Bereia com Paulo e Silas (At 17:10, 14, 15), após sua expulsão de Tessalónica. Depois, se encontrou com Paulo em Atenas e foi enviado de lá para Tessalónica (1Ts 3:1, 2). Ali, ele se juntou a Silas (At 18:5) e, finalmente, viajou para se unir a Paulo em Corinto. A primeira epístola aos Tessalonicenses deve ter sido escrita de Corinto, logo após a chegada de Timóteo. Paulo sabia o que as pessoas estavam pensando na Acaia, onde Corinto estava localizada (1Ts 1:7, 8), e em 1 Tessalonicenses, ele estava respondendo às informações trazidas por Timóteo (1Ts 3:5, 6).

4. Qual foi o assunto principal da pregação de Paulo nessa passagem? Qual foi a diferença entre a estratégia missionária de Paulo em Atenas e em Corinto? 1Co 1:18; 2:2

Paulo não deve ter ficado satisfeito com o resultado de seu encontro com os filósofos de Atenas, pois em Corinto ele decidiu utilizar uma abordagem mais direta para a mente grega. Ao fazer isso, ele não estava rejeitando a ideia de “alcançar as pessoas onde elas estão”, pois ele claramente promoveu esse tipo de abordagem na mesma carta (1Co 9:19-23). O que ele demonstrou em Atenas e Corinto foi que o processo de alcançar pessoas onde elas estão não é uma ciência exata, mas exige constante aprendizado e adaptação. Paulo não usou a mesma abordagem em todas as cidades. Ele era muito sensível às mudanças dos tempos, culturas e circunstâncias.

Qual é a relevância da mensagem da cruz para nós hoje, visto que a “sabedoria” do mundo muitas vezes se choca com a “loucura da cruz”?

Quinta-feira

Paulo revela sua afeição

5. Como era o relacionamento e a ligação emocional de Paulo com os crentes de Tessalónica? O que isso nos ensina a respeito de como devemos nos relacionar com aqueles a quem ministramos? 1Ts 2:17;3:10

A profundidade do pensamento de Paulo e o tom de confronto (veja, por exemplo, Gl 1:6, 7;. 3:1-4; 4:9-11), às vezes fazem com que ele pareça desprezar os sentimentos e relacionamentos pessoais. Mas esse agradável interlúdio em 1 Tessalonicenses mostra o contrário. Ele era um evangelista intensamente relacional, de acordo com a grande comissão, que enfatiza principalmente a formação de discípulos (Mt 28:19, 20).

Na passagem acima, Paulo revelou suas emoções. Ele sentia falta e “intensa saudade” dos irmãos tessalonicenses. Paulo disse que, ao Jesus voltar, pretendia apresentar a Ele os crentes de Tessalónica como frutos de seu ministério. Paulo não ficaria contente apenas em ser salvo no fim do tempo. Ele queria evidências de que sua vida havia feito uma diferença permanente para o reino de Deus.

Quando Paulo não mais pôde suportar o desejo intenso de encontrar os tessalonicenses, enviou um amigo em comum para verificar como eles estavam. Paulo temia que, de alguma forma, Satanás os afastasse de suas convicções originais. Mas ele foi grandemente consolado quando Timóteo informou que eles estavam firmes na fé.

Há uma interessante sugestão de uma dinâmica mais profunda em 1 Tessalonicenses 3:6. Paulo se regozijou com o relatório de Timóteo de que eles mantinham um bom conceito a respeito dele e de que eles estavam ansiosos para vê-lo tanto quanto ele estava ansioso para encontrá-los. A partida de Paulo de Tessalónica havia sido repentina, e parece que ele tinha alguma incerteza sobre a maneira pela qual eles consideravam sua pessoa e sua ausência. A fidelidade dos tessalonicences fez grande diferença para Paulo. Talvez, o senso de valor pessoal de Paulo estivesse, até certo ponto, ligado ao sucesso de sua missão. Afinal, ele era apenas humano.

O relatório de Timóteo trouxe a Paulo uma intensa experiência de alegria em suas orações a Deus. Mas essa alegria não acabou com seu intenso desejo de vê-­los face a face e completar a educação deles na caminhada cristã. No entanto, não podendo estar pessoalmente com eles, Paulo enviou primeiro um mensageiro, Timóteo, e depois se comunicou por meio de cartas. Essas cartas fazem parte do Novo Testamento.

Sexta-feira

Estudo adicional

Se nos humilhássemos perante Deus e fôssemos bondosos e corteses, compassivos e piedosos, haveria uma centena de conversões à verdade onde agora há apenas uma. Mas, professando ser convertidos, levamos conosco uma carga de egoísmo que consideramos excessivamente preciosa para ser abandonada. É nosso privilégio depositar esse fardo aos pés de Jesus, assumindo em seu lugar o carácter e a semelhança de Cristo. O Salvador está esperando que assim procedamos” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 189, 190).

“Durante Seu ministério, Jesus tinha conservado constantemente perante os discípulos o fato de que eles deviam ser um com Ele em Sua obra de resgatar o mundo da escravidão do pecado... Em toda a Sua obra Ele os estava preparando para o trabalho individual, que devia ser expandido à medida que seu número aumentasse” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 32).

Perguntas para reflexão
1. Que erros no comportamento dos cristãos dificultam o esforço para alcançar as pessoas?
2. Em Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 189 (veja acima), Ellen G. White identifica o “egoísmo” como obstáculo à conversão de mais pessoas. De que forma o “egoísmo” se manifesta? Como podemos aprender a morrer para o eu?
3. O foco central da grande comissão (Mt 28:19, 20) é fazer discípulos. Compartilhe algumas de suas próprias experiências em ser ou em fazer discípulos. Até que ponto o discipulado de sua própria igreja está orientado?
4. Como você pode explicar a alguém a “loucura” da cruz? Por que Paulo usou essa terminologia? O que isso nos diz sobre a limitação da nossa compreensão da realidade?

Resumo: Em apenas três semanas, Paulo se havia tornado intensamente ligado aos novos crentes em Tessalónica. Não podendo voltar a eles, ele primeiramente lhes enviou Timóteo. Sob o poder do Espírito Santo, ele também colocou seu coração em duas cartas. O evangelismo significativo não deve se contentar com a simples aceitação das crenças cristãs. A vida física, mental e emocional está envolvida na fé cristã.

Respostas sugestivas: 1: Inveja; disseram que os apóstolos transtornavam o mundo, procediam contra os decretos de César e afirmavam que Jesus era rei; as autoridades receberam a fiança e os soltaram. 2: Os judeus de Tessalônica não aceitaram o evangelho e perseguiram os mensageiros; os de Bereia receberam a Palavra com avidez; na missão de pregar o evangelho precisamos aprender a enfrentar reações diferentes. 3: Mostrou que a religião deles de alguma forma se relacionava com o evangelho; com base em escritos conhecidos pelos atenienses, apresentou o Deus criador. 4: Jesus Cristo crucificado, a sabedoria divina que parece loucura para os homens; em Atenas, Paulo argumentou com base na religião e cultura do local. 5: Era semelhante ao relacionamento entre pai filho: profunda amizade, saudade e preocupação com o bem-estar mútuo.

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Comentários e Explicações da Lição - 2
PRESERVANDO RELACIONAMENTOS

Uma das grandes realizações do ministério pastoral, talvez a maior, é o privilégio de estabelecer relacionamentos significativos e duradouros. Paulo, transformado de perseguidor cruel em pastor amoroso, deixou-nos lições preciosas sobre os nobres sentimentos que mantinha pelas pessoas que levou aos pés da cruz.


Nesta semana, ao preparar a matéria da lição, trago bem nítidas na memória, imagens dos locais mencionados, muitos dos quais tive a chance de percorrer, repetindo o mesmo trajeto da viagem do apóstolo na Grécia, séculos antes. Atualmente, claro, em estradas de ferro e amplas rodovias asfaltadas. Cidades como Kavala (Filipos), Salónica, a Via Inácia, Véria (Bereia), Atenas, o Porto de Pireu, Corinto, etc., são fontes de gratas recordações e inspiração para o estudante da Bíblia.


Povoada por gente de várias nacionalidades, Tessalónica abrigava uma considerável colónia judaica. Os discípulos se hospedaram na casa de Jason. Os primeiros tempos ali devem ter sido muito difíceis como revelam 1Tessalonicenses 2:9 e 2Tessalonicenses 3:8.
Por três sábados, os apóstolos tiveram oportunidade de pregar na sinagoga. Como resultado, “alguns deles creram”. A mensagem foi acolhida no coração de “gregos religiosos, grande multidão, e mulheres nobres, não poucas” (At 17:4).


Oposição em Tessalónica
O rápido “sucesso” de Paulo nessa cidade criou ciúmes e exaltou os ânimos daqueles judeus não convertidos. Novamente, como em Antioquia da Pisídia, o zelo equivocado de alguns entrou em erupção. Não encontrando Paulo nem seus associados, arremeteram contra a casa de Jason e o levaram prisioneiro diante das autoridades, acusando-o de subversão. Porém, esses judeus não se inflamaram tanto como os de Filipos, pois logo “tendo recebido satisfação de Jason e dos demais os soltaram” (At 17:9).


Durante a noite, temerosos pela possibilidade de violência posterior, os irmãos enviaram, Paulo e Silas a Bereia. Timóteo permaneceu em Tessalônica para atender o nascente interesse evangelístico.

Em Bereia
Bereia era uma cidade muito menor que Tessalónica, situada a uns 80 quilómetros a sudoeste, na encosta oriental do Olimpo, o sagrado monte grego.


A Escritura afirma que os habitantes de Bereia foram mais nobres que os de Tessalónica (At 17:11). Aceitaram a verdade que ouviram, comparando-a com a Palavra de Deus. Em outras palavras, os bereanos acolheram avidamente a mensagem, estudando todos os dias as Escrituras para comprovar se o que Paulo ensinava era verdade.


Propositalmente, destaquei essa característica dos crentes de Bereia porque nisso eles são exemplo para nós. Hoje, quando alguns na igreja apreciam contestar, criticar, promover dissensões e dissidências, é de suprema importância que sejamos cristãos que busquem, no estudo assíduo da Palavra revelada, a solidificação da estrutura espiritual de nossa vida religiosa.

Todavia, como havia acontecido antes em Listra, os judeus de Tessalónica não descansaram. Um grupo deles viajou até Bereia e promoveu ali grande agitação pública com o intuito de expulsar dali os pregadores. Conseguiram que Paulo saísse da cidade.
Enquanto Paulo era acompanhado por alguns irmãos a Atenas, Silas e Timóteo (chegado de Tessalónica) permaneceram em Bereia.

Em Atenas – Atos 17:15-34.
Se Paulo realizou a viagem por mar, ele gastou uns quatro dias. Se foi por terra, atravessando a Tessália, deve ter despendido quase duas semanas. Ao chegar à capital cultural do mundo antigo, ele se sentiu tremendamente só. E através dos bereanos que regressaram, mandou chamar seus companheiros, mas o esperado encontro só aconteceu mais tarde em Corinto.


Em Atenas, Paulo encontrou uma população culta e instruída. Escreveu Ellen White: “A cidade de Atenas era a metrópole do paganismo. Aí Paulo não se encontrou com uma população crédula e ignorante, como em Listra, mas um povo famoso por sua inteligência e cultura. Em todos os lugares estavam à vista estátuas de seus deuses e heróis divinizados da história e da poesia, enquanto magnificentes arquitecturas e pinturas representavam a glória nacional e o culto popular de deidades pagãs. O senso do povo estava empolgado com o esplendor e a beleza da arte. De todos os lados santuários, altares e templos representando enorme despesa, exibiam sua formas maciças. Vitórias das armas e feitos de homens célebres eram comemorados pela escultura, relicários e placas. Tudo isso fez de Atenas uma vasta galeria de arte” (Atos dos Apóstolos, p. 233, 234).

A permanência de Paulo em Atenas de modo nenhum foi ociosa. Na sinagoga e na praça pública, ele disputava poderosamente com os que estivessem dispostos a escutá-lo. Logo, os grandes homens de Atenas ouviram acerca dele. Alguns filósofos epicureus e estóicos foram em sua busca com a evidente intenção de ridicularizá-lo como alguém que estivesse muito abaixo deles, tanto intelectual como socialmente. Porém tiveram uma surpresa. Logo viram que ele tinha um conhecimento muito superior ao deles. Sua capacidade intelectual impunha respeito aos letrados, ao passo que seu fervoroso e lógico raciocínio e seu poder de oratória captavam a atenção de todo o auditório (Atos dos Apóstolos, p. 235).

Finalmente, decidiram dar a Paulo a oportunidade de se dirigir à elite da cidade. A reunião aconteceu no histórico cenário do Areópago, ou Colina de Marte, localizado próximo à entrada monumental da Acrópole ateniense. O discurso que Paulo proferiu ali é uma obra-prima de eloquência. Foi ouvido com atenção comovida, e muitos sentiram a ação do Espírito Santo em sua mente. Porém, quando falou da ressurreição dos mortos, negada pela filosofia grega em voga, os ouvintes encontraram a escusa para não mais o escutarem.

“Terminou assim o trabalho do apóstolo em Atenas, o centro da cultura pagã; pois os atenienses, apegando-se persistentemente à sua idolatria, viraram as costas à luz da verdadeira religião. Quando um povo está inteiramente satisfeito com suas próprias realizações, pouco mais se pode esperar dele” (Atos dos Apóstolos, p. 239).

Quando as grandes verdades da Palavra nos são apresentadas, é muito perigoso fazer como fizeram aqueles filósofos: “Nós o ouviremos em outra ocasião sobre este assunto” (At 17:32).

Esses gregos, talvez, nunca mais tivessem outro encontro como aquele na Colina de Marte. E se o tiveram, jamais ouviram Paulo pregar outra vez. Tanto quanto se sabe, o apóstolo não mais pregou na capital grega, embora deva ter passado por ali mais tarde. A mente humana, como no cultivo da terra, tem estações favoráveis. Em relação ao Evangelho e à vida eterna, a estação favorável é sempre hoje.

A maioria dos ouvintes de Paulo no Areópago zombou dele ou procrastinou uma possível aceitação do Evangelho. Porém, houve pelo menos duas pessoas que aceitaram e se uniram ao apóstolo e sua mensagem: Dionísio, um membro da corte que administrava os eventos da Colina de Marte, “e uma mulher por nome Dámaris” (At 17:34).

Por que esses dois ouvintes creram, enquanto todos os outros zombaram e adiaram uma aceitação? A única resposta que podemos encontrar é que o vento do Espírito Santo estava soprando naquele dia histórico sobre a Colina de Marte, e usou a pregação de Paulo, para lançar sementes de arrependimento e de vida eterna no coração de Dionísio e Dámaris.

Pense nisto: pelo menos um daqueles filósofos poderia ser lembrado hoje pelo nome? Como se chamavam aqueles que convidaram Paulo para discursar no Areópago de Atenas? Nenhum deles é lembrado. Ficaram esquecidos na poeira do tempo. Mas o nome de Dionísio e o nome de Dámaris, que escolheram Cristo, ainda vivem. E viverão para sempre, pois são nomes que estão escritos no livro da Vida do Cordeiro.

Chegada em Corinto – At 18:1-18.
Corinto era a metrópole comercial e política da Grécia. Seu nome era sinónimo de libertinagem. Chegando a essa cidade, Paulo se hospedou na casa de Áquila e Priscila, um casal de judeus vindos de Roma, havia pouco. Eram nativos do Ponto, e tinham vivido um tempo em Roma até que foram alcançados pela expulsão dos judeus, ordenada pelo imperador Cláudio (49 d.C).

Lucas não diz se já eram cristãos ou se Paulo os levou à conversão. O certo é que em seu lar, Paulo encontrou o descanso que anelava para seu corpo cansado e para seu espírito abatido pelo que havia ocorrido em Atenas.

Situada no istmo homónimo, a uns 65 km de Atenas, Corinto era uma cidade cosmopolita, de grande atividade comercial. Porém, seus habitantes eram completamente idólatras, e o culto a Afrodite havia chegado a degradá-los a tal ponto que, mesmo entre pagãos era proverbial sua imoralidade.

F. Godet escreveu: “No alto da Acrópole resplandecia o templo de Vénus, onde se oferecia a seus habitantes e aos estrangeiros, todos os meios de desordem. O povo da nova Corinto sobrepujava em corrupção a qualquer outro, a tal ponto que a expressão ‘viver à coríntia’ indicava o género de vida mais dissoluto possível. ‘Banquete coríntio’ e ‘bebedor coríntio’ eram frases proverbiais” (citado por Treiyer).

A permanência de Paulo em Corinto se prolongou por algo mais de um ano e meio. Em seu trabalho, ele usou um método distinto daquele que empregou em Atenas: “Resolveu evitar todas as discussões e argumentos complicados, e nada saber entre os coríntios, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. Iria pregar-lhes não com palavras persuasivas de humana sabedoria, mas em demonstração de Espírito e de poder” (1Co 2:2, 4; Atos dos Apóstolos, p. 244).

Os fatos de maior destaque em Corinto foram:

a. Labores entre os judeus: seguindo seu plano habitual, primeiramente pregou aos sábados nas sinagogas e durante a semana trabalhava em seu ofício de tecer tendas a fim de ganhar o sustento. No tempo em que Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, a resistência dos judeus inconversos se havia tornado agressiva. O apóstolo se voltou então para os gentios. Porém, “a impiedade que via e ouvia nessa corrupta cidade quase o desanimava. A depravação que presenciava entre os gentios, e o desprezo e insulto dos judeus lhe traziam grande angústia. Duvidou da sabedoria de procurar estabelecer uma igreja com o material que ali se encontrava” (Atos dos Apóstolos, p. 250).

b. Uma visão animadora: quando Paulo começou a planejar sua partida para um lugar mais promissor, o Senhor lhe disse em visão: “não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto Eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (At 18:9, 10).


c. Atentado dos judeus: entre os conversos de Paulo estava Justo, cuja casa estava ao lado da sinagoga, e Crispo, que antes de sua conversão havia sido o chefe da sinagoga. Ainda gente de destaque social como Gaio e a filha de Estéfanas, e outros mais. Certo dia, os judeus se levantaram contra Paulo e o levaram preso perante Gálio, o procônsul da Acaia. A acusação era séria, já que apresentaram Paulo como agitador. Porém, Gálio era homem íntegro e não se deixou enganar pelos judeus irados e cruéis. Aborrecido pelo fanatismo e justiça própria deles, não quis dar lugar à acusação. Os judeus, desconcertados, foram expulsos do tribunal, e a multidão que os havia apoiado, compreendendo a verdade da situação, voltou-se contra eles, agredindo Sóstenes, sucessor de Crispo como principal da sinagoga. Parece provável que, depois desse incidente, Sóstenes tenha se convertido (1Co 1:1). Isso deu mais prestígio ao cristianismo (veja Atos dos Apóstolos, p. 252, 253).

d. Envio das duas cartas aos Tessalonicenses: os dois fiéis colaboradores de Paulo, que haviam chegado de Tessalónica, informaram-no acerca de alguns problemas que estavam sacudindo a igreja. Havia alguns irmãos muito abatidos pela morte de seus amados, sem um conceito claro da ressurreição. Outros, fanáticos, aconselhavam a não trabalharem mais, diante da proximidade da vinda de Cristo. Ainda outros estavam caindo em imoralidade, e havia quem não reconhecia plenamente as autoridades da igreja. A todos eles escreveu o apóstolo, animando e corrigindo. É bastante provável que o portador de ambas as cartas tenha sido Timóteo.

Paulo revela sua afeição

“Depois da partida forçada de Tessalónica, Paulo expressou sua amorosa preocupação pelos irmãos que havia deixado para trás. Nesse ponto, o estilo do apóstolo se tornou intensamente emocional. Até mesmo as palavras parecem tremer. A razão para o profundo sentimento que Paulo transpira aqui provavelmente seja que os inimigos da fé tivessem insinuado que a súbita partida dos missionários era prova da falta de genuína preocupação pelas pessoas a quem enganaram. Em contrapartida a tal acusação Paulo enfatizou que, para os missionários, a separação que surgiu foi por eles sentida como nada menos do que terem sido arrancados daqueles a quem amavam com tanta ternura” (Hendriksen, p. 90).

Claramente e com muito sentimento, o apóstolo expressou seu amor pelos leitores, a quem chamou de “nossa esperança ou alegria ou coroa da glória na presença de nosso Senhor Jesus Cristo em Sua vinda”. Declarou que ele e seus companheiros foram “arrancados” dos irmãos.: Repetidas vezes “nos esforçamos com a máxima diligência por ver a vossa face com intensa saudade”. Mas eles foram impedidos por Satanás (1Ts 2:17-20).



“As cartas paulinas são um claro testemunho do coração pastoral do apóstolo. Paulo não era um teólogo erudito, distante das realidades da vida da igreja; ao contrário, a preocupação com as igrejas foi o trampolim para a sua teologia. Paulo também não era evangelista de um único interesse, dedicado apenas a conquistar pessoas para Jesus Cristo; mais exatamente, ele se preocupava em continuar a se relacionar com as igrejas que fundara” (Dicionário de Paulo, p. 911).

Nas páginas que se seguem, quero oferecer ao estudioso destas lições algumas informações que podem ajudá-lo numa compreensão mais efetiva dos temas do trimestre (Material adaptado de “Epístolas do NT” de Humberto Treiyer).


INTRODUÇAO GERAL AO ESTUDO DA EPÍSTOLA – 1ª Tessalonicenses

O estudo das epístolas do Novo Testamento pode apresentar certas dificuldades, caso não se levem em conta alguns princípios gerais que ajudam em sua compreensão. Por isso, seria de grande proveito analisar, ainda que rapidamente, as características de maior destaque do conjunto desses escritos.

As 21 epístolas do Novo Testamento foram escritas por cinco autores; o mais prolífero deles e o que nos atrai a atenção neste estudo é o apóstolo Paulo. De seu punho procedem 14 cartas, dois terços do total. Elas contêm a essência doutrinal do cristianismo, daí a importância de seu estudo. A igreja cristã não pode prescindir de nenhuma delas.

Características distintivas das epístolas

1. Existe uma harmonia essencial entre as epístolas e os livros históricos do Novo Testamento
Os ensinos de Jesus, registrados nos evangelhos, e as pregações apostólicas, conservadas em Atos dos Apóstolos, constituem as sementes doutrinárias, que se enraízam, crescem e frutificam nas epístolas. Uma única Mente, a divina e infinita, moveu os autores do Novo Testamento. As epístolas não apenas apresentam uma complementação maravilhosa, mas a ausência de contradições. Falam da mesma fonte de Inspiração: “os santos homens de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21).

2. Sua forma de redação é epistolar
Enquanto os profetas do Antigo Testamento entregavam suas mensagens em forma de oráculos, cheios de advertências acerca dos juízos de Deus, os apóstolos recorreram ao género epistolar, ou seja, cartas compostas conforme o estilo da época. Talvez o estilo que melhor se preste para ensinar, corrigir problemas concretos, expressar sentimentos e elaborar planos de ação. Seus autores estavam conscientes da forma pela qual escreviam.


Os discursos registrados em Atos dos Apóstolos, com poucas exceções, dirigem-se a pessoas não cristãs. Por outro lado, as epístolas são enviadas a crentes, seja a igrejas organizadas, ou mensageiros da Palavra.

Ao escrever as cartas, os apóstolos expressavam a plenitude de suas explicações e podiam extravasar-se em sentimentos próprios do gênero epistolar.

Os tratados sistemáticos, como os que escreveram os retóricos e filósofos dessa época, não teriam conseguido fazer a obra que realizaram as cartas familiares e flexíveis. Nelas os apóstolos não trataram de itens imaginários, mas casos reais, erros ou tendências como os que surgiram nas igrejas.

Os apóstolos escreveram acerca de incompreensões e perversões da verdade, dificuldades que surgiram no trato com os pagãos, de abusos que se efetuavam no culto e nas práticas da vida, de questões e tendências da mente humana que haviam de se apresentar na igreja de Deus e muito mais.

3. Estão intimamente relacionadas com o Antigo Testamento
No conteúdo das epístolas, são abundantes citações e expressões dos profetas do Antigo Testamento. Pelo menos 250 referências textuais e outras tantas alusões entrelaçam harmonicamente as duas porções das Sagradas Escrituras. Isaías, Oseias, Salmos, Habacuque, Levítico, etc. aparecem frequentemente nos escritos de Paulo. Não é exagero afirmar que as epístolas estão saturadas do espírito e pensamento e, às vezes, das palavras do Antigo Testamento. Os Testamentos não foram revelações independentes, e não se pode descartar um sem debilitar o outro.

4. Apresentam unidade doutrinária em seus conteúdos
Em todos os autores das epístolas encontramos o mesmo tema recorrente: Cristo, como Salvador do ser humano, em outras palavras, a salvação mediante Jesus Cristo. Eles apresentam o bendito efeito da morte expiatória de Cristo e Sua ressurreição triunfante.

Descrevem também a origem da igreja, sua unidade, suas relações, sua condição, deveres e destino. Desvendam o fato assombroso de que os crentes são chamados à imortalidade no glorioso destino que lhes espera quando terminar a história de pecado neste mundo.
Acima de tudo, não são revelações independentes. Estão na mais estreita relação com as anteriores revelações inspiradas.

5. São Didáticas
Destinadas a “ensinar... redarguir... corrigir... instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito, inteiramente instruído para toda boa obra” (2Tm 3:16, 17).


Estilos, vocabulário e construções gramaticais diferem entre si, denotando as modalidades individuais. Porém, a doutrina se mantém invariável. Unidade na variedade tem sido sempre o método de trabalho Divino e há de ser visto também nos instrumentos de Deus.

6. São similares em sua apresentação
As epístolas têm início com uma introdução ou preâmbulo, na qual aparece o nome do autor e seus companheiros (embora nem sempre), e os daqueles a quem se dirigiram, geralmente em forma global.

Segue-se o corpo doutrinário, onde a verdade que se quer ensinar é apresentada e ilustrada.

Terminam com uma conclusão característica; algumas vezes com notícias pessoais, outras com recomendações em favor do portador, saudações e uma bênção final.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

INTRODUÇAO GERAL AO ESTUDO DAS EPÍSTOLAS

1ª Lição.
Introdução:
As 21 epístolas do NT foram escritas por cinco autores; o mais prolífero deles e o que nos interessa neste estudo, é o apóstolo Paulo. De sua pena procedem 14 cartas, dois terços do total. Elas contêm a essência doutrinal do cristianismo, daí a importância de seu estudo. A igreja cristã não pode prescindir de nenhuma delas.

CARACTERÍSTICAS DISTINTIVAS DAS EPÍSTOLAS
1. Existe uma harmonia essencial entre as epístolas e os livros históricos do Novo Testamento.
Os ensinos de Jesus, registados nos evangelhos, e as pregações apostólicas, conservadas em Atos dos Apóstolos, constituem as sementes doutrinárias, que se enraízam, crescem e frutificam nas epístolas. Uma única Mente, divina e infinita, moveu os autores do Novo Testamento. As epístolas não apenas apresentam uma complementação maravilhosa, mas a ausência de contradições. Elas falam de uma mesma fonte de Inspiração: “homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1:21).

2. A Sua forma de redação é epistolar
Enquanto os profetas do Antigo Testamento entregavam as suas mensagens em forma de oráculos, cheios de advertências acerca dos juízos de Deus, os apóstolos recorreram ao género epistolar, ou seja, cartas compostas conforme o estilo da época. Talvez fosse esse o estilo que melhor se prestava para ensinar, corrigir problemas concretos, expressar sentimentos e elaborar planos de ação. Os autores estavam conscientes da forma com que escreviam.
Os discursos registados em Atos dos Apóstolos, com poucas excepções, foram dirigidos a pessoas não cristãs. Por outro lado, as epístolas são enviadas a cristãos, seja a igrejas organizadas ou mensageiros da Palavra.
Ao escrever as cartas, os apóstolos expressavam a plenitude das suas explicações e podiam extravasar-se em sentimentos próprios do género epistolar.
Os tratados sistemáticos, como os que escreveram os retóricos e filósofos dessa época, não teriam conseguido fazer a obra que realizaram as cartas familiares e flexíveis. Nelas os apóstolos não trataram de itens imaginários, mas casos reais, erros ou tendências como os que surgiram nas igrejas.
Os apóstolos escreveram acerca de incompreensões e perversões da verdade, dificuldades que surgiram no trato com os pagãos, abusos que se efectuavam no culto e nas práticas da vida, questões e tendências da mente humana que haviam de se apresentar na igreja de Deus, e muito mais.

3. Estão intimamente relacionadas com o Antigo Testamento
São abundantes no conteúdo das epístolas, citações e expressões dos profetas do AT. Pelo menos duzentas e cinquenta referências textuais e outras tantas alusões entrelaçam harmonicamente as duas porções das Sagradas Escrituras. Isaías, Oseias, Salmos, Habacuque, Levítico, etc., aparecem frequentemente nos escritos de Paulo. Não é exagero afirmar que as epístolas estão saturadas do espírito e pensamento e às vezes das palavras do AT. Os Testamentos não foram revelações independentes e não se pode descartar um sem debilitar o outro.

4. Apresentam unidade doutrinária em seus conteúdos
Em todos os autores das epístolas encontramos um mesmo tema recorrente: Cristo como Salvador do homem, ou, em outras palavras, a salvação mediante Jesus Cristo. Revelam o bendito efeito da morte expiatória de Cristo e Sua ressurreição triunfante.
Descrevem também a origem da igreja, sua unidade, suas relações, sua condição, deveres e destino. Desvendam o fato assombroso de que os cristãos são chamados à imortalidade no glorioso destino que lhes espera quando terminar a história de pecado neste mundo.
Acima de tudo, não são revelações independentes. Estão na mais estreita relação com as revelações inspiradas anteriores.

5. São Didácticas
Destinadas a “ensinar... redarguir... corrigir... instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito, perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2Tm 3:16, 17, RC).
Os estilos, vocabulários e construções gramaticais diferem entre si, denotando as modalidades individuais, porém a doutrina se mantém invariável. Unidade na variedade tem sido sempre o método do trabalho divino e há-de ser visto também enos mensageiros.

6. São similares na apresentação
Têm início com uma introdução ou preâmbulo, em que aparece o nome do autor, seus companheiros (embora nem sempre), e os daqueles a quem se dirigem geralmente em forma global.
Segue-se o corpo doutrinal, onde a verdade que se quer ensinar é apresentada e ilustrada.
Terminam com uma conclusão característica. Algumas vezes com notícias pessoais, outras com recomendações em favor do portador, saudações e uma bênção final.

LIÇÃO 1 – O Evangelho chega a Tessalónica

A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO

Inicialmente, vamos relembrar, de forma rápida, o itinerário de Paulo na sua segunda viagem missionária e a entrada do evangelho na Europa. Observe que os labores do apóstolo na Ásia Menor são reduzidos, porque o Espírito Santo o impulsionou para a Europa, cenário das maiores realizações evangélicas de sua segunda viagem (anos 49 a 52).

1. Partida - Atos 15:36-41
No mesmo ano do Concílio de Jerusalém (49 d.C.), Paulo e Barnabé, decidiram visitar as igrejas que haviam constituído cerca de quatro anos antes, em Chipre, Panfília, Pisídia e região da Galácia.

Paulo não aceitou a proposta de Barnabé para levar com eles o jovem João Marcos. A discussão foi acalorada a ponto de se separarem. Barnabé viajou para Chipre com seu sobrinho e Paulo, acompanhado por Silas, atravessou a Síria e Cilícia. Este distanciamento dos dois grandes evangelistas foi transitório. Posteriormente, Paulo mudou seu conceito acerca de João Marcos (veja Cl 4:10; 2Tm 4:11).

2. Itinerário até Tróade - Atos 16:1-10
O trajeto para Derbe foi bastante difícil. Deveriam iniciar a travessia dos montes Tauros pelas “portas da Cilícia”. Transpostos esses montes, seguiram pela vasta planície da Licaonia, provavelmente inundada nessa época do ano (aceita-se que tenha sido na primavera de 49), e transformada em um grande pântano. Não menos de 10 dias eles devem ter gasto na viagem entre Tarso e Derbe.
Em Listra, Paulo voltou a se encontrar com Timóteo, que decidiu dedicar-se ao ministério.

3. Outras localidades visitadas:
a. Frígia – uma região não bem definida na Ásia Menor Ocidental, de limites mais raciais que políticos. As cidades de Colossos e Laodiceia, sobre o rio Lico, formavam parte da Frígia.

b. Galácia – originalmente uma região pequena ocupada por gauleses vindos da Europa no século III a.C. Mais tarde, teve seus limites ampliados ao unir-se a Roma, e se tornar, finalmente, uma província romana (25 a.C.). É provável que, nessa visita, Paulo tenha padecido da enfermidade mencionada em Gálatas 4:13-15 (talvez uma infecção ocular).

c. Ásia – era uma província romana, com capital em Éfeso. O Espírito Santo não permitiu que pregassem ali. Tampouco em Mísia (região no extremo noroeste da Ásia Menor nas margens do estreito de Dardanelos). A intenção dos pregadores era visitar a Bitínia (província situada no litoral sul do Mar Negro, incluía cidades como Niceia e Nicomédia), no que também foram impedidos pelo “Espírito de Jesus”.

d. Assim, chegaram ao porto de Tróade (v. 8), colónia romana, cidade livre e porto da Mísia, no mar Egeu, frente à Europa. Ali Paulo teve a visão do jovem macedónio, que o chamava imperativamente à Macedónia.

A partir de Atos 16:10, Lucas se une ao grupo, como indica o uso da primeira pessoa do plural empregada até à chegada a Filipos.
É claro que, naquela época, não havia uma linha separando a Ásia da Europa. Os missionários que navegavam pelo norte do mar Egeu só tinham consciência de estar viajando de uma província para outra, e não de um continente para outro, já que ambos os lados do mar Egeu pertenciam ao Império Romano. Campbell Morgan afirma: “A invasão da Europa certamente não estava na mente de Paulo, mas, evidentemente, estava na mente do Espírito.” A evangelização da Europa começou quando Paulo pisou na terra que hoje é a faixa longa e estreita do nordeste da Grécia.


OS PREGADORES PAGAM UM PREÇO

1. A obra em Filipos – Atos 16:12-40

Durante a navegação de Trôade a Neápolis não houve inconvenientes. Os 230 quilómetros que separam ambas as povoações foram percorridos em dois dias, passando pela ilha de Samotrácia, no Egeu (mar que separa a Grécia da Ásia Menor) mais ou menos na metade do caminho.

Neápolis, localizada na Trácia, era porto de Filipos, devido a sua proximidade (15 km). Filipos não era a capital da Macedónia, porém, uma povoação de importância. Antigamente, chamava-se Krenides (lugar de pequenos mananciais), porém tomou seu nome depois da reconstrução realizada por Filipe II, no século IV a.C. Mais tarde, foi transformada em colónia romana e teve seus direitos ampliados, transformando-se em verdadeira extensão da cultura imperial romana.
Em Filipos, iniciaram-se os labores evangelísticos do apóstolo Paulo na Europa.

2. Incidentes que mais se destacam do trabalho em Filipos:

a. A conversão de Lídia, mulher de Tiatira, que se dedicava ao comércio de púrpura, provavelmente viúva. Ela aceitou o evangelho, e com ela, sua família. Sua casa se abriu para receber os mensageiros do Senhor, embora pareça não ter sido fácil convencê-los, a julgar pela expressão de Atos 16:15: “... nos constrangeu a isso”.

b. Uma escrava possessa. Literalmente, ela possuía “um espírito de píton”. Uma referência à serpente da mitologia que vigiava o templo de Apolo e o oráculo de Delfos. Por meio da adivinhação, essa pitonisa propiciava lucro e alimentava a ganância de seus senhores. Foi utilizada por Satanás para estorvar o trabalho da equipe evangelística. Por vários dias, ela os acompanhou gritando: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo” (At 16:17). Talvez o motivo final fosse lançar descrédito sobre o evangelho, associando-o ao ocultismo na mente das pessoas.

Finalmente, Paulo, perturbado por essa cotidiana interferência, ordenou ao espírito que a abandonasse.
c. Encarceramento dos discípulos. F. F. Bruce comenta: “Quando Paulo exorcizou o espírito que a possuía, exorcizou também a fonte de renda deles.” Os exploradores da jovem adivinha promoveram habilmente um tumulto de grandes proporções. Levaram Paulo e Silas ao fórum e, diante de uma multidão agitada e de juízes desorientados, foram acusados. Os juízes decidiram atuar com presteza deixando de lado as instâncias correspondentes a um processo judicial. Rasgaram as roupas dos pregadores, que foram açoitados barbaramente e lançados numa cela interior, presos ao cepo, com recomendações de total vigilância por parte do carcereiro.

“Os pregadores pagam um preço.”

d. A libertação. A partir de então, os acontecimentos se sucederam rapidamente. Os juízes que haviam retornado a suas casas, felicitando-se pela grande capacidade de dissolver os distúrbios, logo se viram confrontados com evidências tais, que compreenderam a injustiça que haviam cometido.

A atitude de Paulo e Silas em sua dolorosa situação impressionou completamente o carcereiro e os demais presos. Ellen G. White afirma: “Todo o Céu estava interessado nos homens que estavam sofrendo por amor a Cristo, e anjos foram enviados a visitar o cárcere. Aos seus passos a Terra tremeu. As pesadas portas do cárcere se abriram de par em par; as cadeias e grilhões caíram das mãos e pés dos presos, e uma brilhante luz inundou a prisão” (Atos dos Apóstolos, 215).

e. Fatos posteriores. O carcereiro, recuperado das fortes emoções que o haviam transtornado e quase o levaram ao suicídio, “com profunda humildade pediu que lhe mostrassem o caminho da vida [...]. Uma influência santificadora se difundiu entre os presos e todos estavam dispostos a escutar as verdades expostas pelos apóstolos” (Atos dos Apóstolos, 217).

Os líderes da cidade receberam as informações já bem cedo, naquela manhã, e decidiram libertar de imediato os presos. Porém, “Paulo e Silas haviam sido encarcerados publicamente e se negaram a ser postos em liberdade secretamente, sem a devida explicação por parte dos magistrados”. Estes, profundamente alarmados, sobretudo ao serem informados de que os presos eram cidadãos romanos, dirigiram-se pessoalmente ao cárcere, apresentaram suas desculpas e rogaram que Paulo e Silas saíssem da cidade. Feitos os arranjos necessários, os apóstolos concordaram. Despedindo-se dos irmãos, partiram.


Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, Paulo e Silas receberam a força do Senhor para pregar o evangelho em Tessalónica. Calvino se referiu à “invencível coragem mental e perseverança infatigável da cruz.”

A ESTRATÉGIA DE PREGAÇÃO DE PAULO
Paulo, o missionário, tinha como estratégia proclamar a mensagem nos grandes centros, fazer uso das sinagogas, usar as profecias do Antigo Testamento como base de sua abordagem, tentando mostrar aos ouvintes uma nova imagem do Messias. O emprego dessa estratégia fica tão evidente em Tessalónica como em qualquer outra parte.

“Por três sábados consecutivos, Paulo pregou aos tessalonicenses, arrazoando com eles sobre as Escrituras, a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Mostrou-lhes que a expectativa dos judeus relacionada com o Messias não estava de acordo com a profecia, pois essa anunciava um Salvador vindo em humildade e pobreza, e que seria rejeitado, desprezado e morto” (Ellen G. White, Redemption: or the Teachings of Paul and His Mission to the Gentiles [Redenção: ou os Ensinos de Paulo e Sua Missão aos Gentios], p. 44).


As Duas Visões do Messias.
Escreve o Dr. Raoul Dederen: “Duas linhas de predições dizem como seria a vinda do Filho: Ele devia vir como Salvador do pecado, conforme prefigurado nos sacrifícios do AT (Gn 4:3, 4; Lv 1:3-9), anunciado pelos profetas (Is 52:13, 14; 53:3-6; Dn 9:26), e como Rei de Seu reino (Sl 2; Jr 23:5, 6). A ideia de servo desempenha papel importante na compreensão do NT sobre a obra e a missão de Jesus. Essa ideia vem diretamente de quatro canções de Isaías conhecidas como “canções do servo” (Is 42:1-4; 49:1-6; 50:4-9; 52:13–53:12). Jesus fez uma citação direta de Isaías 53:12, atestando a Sua consciência de que a figura veterotestamentária do servo estava a cumpri-se nEle (Lc 22:37)” (Tratado Teológico Adventista, p. 191).

Outro profeta, Jeremias fala de um “Renovo Justo”. Mesmo que a “árvore” da família de Davi tivesse sido cortada, um “renovo” cresceria e se tornaria o Rei da nação. Esse rei seria reto e governaria com justiça. O nome dele é “Jeová Tsidkenu” – “Senhor, Justiça nossa”. Esse nome exaltado aplica-se somente a Jesus Cristo (2Co 5:21). Quando depositamos a nossa fé em Cristo, a justiça d´Ele nos é imputada (contrário de amputada), e somos declarados justos diante de Deus. É nisso que consiste ser “justificado pela fé” (Rm 3:21–5:11; Wiersbe, v. 4, 141).

SOFRIMENTO ANTES DA GLÓRIA
Em determinado momento de Seu ministério, Jesus começou a combinar dois conceitos bíblicos, aparentemente incompatíveis: o Filho do Homem exaltado e majestoso de Daniel 7:13 e o Servo sofredor de Isaías 53. Quando Cristo afirmou que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate...” (Mc 10:45), os judeus que esperavam um Messias político se decepcionaram. Não entenderam corretamente o alcance dessas profecias. Insistiram em permanecer com a expectativa e o foco na chegada de um Messias guerreiro, libertador. Esse líder político-militar deveria libertá-los do jugo romano. Várias vezes quiseram alçar Jesus ao poder, como líder guerreiro, contra Roma. Tudo porque desprezaram o aspecto sofredor do Servo de Deus, como anunciado nas profecias do AT.

Por outro lado, para Cristo o verdadeiro significado de “servir”, era “dar a Sua vida em resgate”. Toda a missão do Salvador está contida nessas palavras. Em realidade, Jesus estava dizendo que o Filho do Homem, antes devia vir como Servo. Ele uniu em Sua Pessoa os dois grupos de profecias messiânicas. O “Filho do Homem” nesse momento era o Servo. Nenhum Rabi jamais fez isso. Aqui está o gênio de Jesus Cristo. Ele compreendeu muito bem toda a Sua missão presente de sofredor, sem negar Sua missão futura de Juiz, exaltado e glorioso.

Paulo entendeu de maneira clara essa verdade bíblica e a expôs poderosamente em sua abordagem aos tessalonicenses. A matéria apresentada nas lições de terça e quarta é bastante esclarecedora. Trata do fato de que o Messias deveria vir como “Servo sofredor, Homem de dores” (Is 53) antes de Se manifestar em glória. Isaías 53 foi a chave para o papel do Messias. Paulo se empenhava em anunciar Jesus. Ele identificou o Jesus da história com o Cristo das Escrituras.

A interpretação messiânica de Isaías 53 teve o apoio dos rabinos até o século XII. Depois disso, estudiosos judeus começaram a interpretar a passagem como uma descrição dos sofrimentos de Israel como nação. Porém, como Israel poderia ter morrido por seus próprios pecados (v. 8)? Israel nunca foi inocente de pecado, e dessa forma, jamais poderia ser condenado injustamente (v. 9). O profeta escreveu sobre um indivíduo inocente, não sobre uma nação culpada. Deixou bem claro que esse inocente morreu pelo pecado para que os culpados pudessem ser libertos.

O Servo que Isaías descreve é o Messias. O Novo Testamento, que apresenta mais citações ou alusões a Isaías 53 do que a qualquer outro capítulo do Antigo Testamento, afirma que esse Messias-Servo é Jesus de Nazaré, o Filho de Deus (Wiersbe).

Este magnífico cântico de quinze versículos, divididos em cinco estrofes de três versos, é a “Canção do Servo”. Cada uma dessas estrofes revela uma importante verdade sobre o Servo e sobre o que Ele fez por nós. Escreveu o estudioso do Antigo Testamento, Dr. Kyle Yates: “Essas cinco estrofes incomparáveis são o Monte Everest da profecia messiânica”. Assim como essa montanha, Isaías 53 se destaca pela beleza e grandiosidade das suas palavras, e tudo porque revela Jesus Cristo e leva-nos ao Calvário, o Everest de nossa salvação.

Nasce uma Igreja
Os que têm hoje a desafiadora missão de plantar igrejas devem aprender com o apóstolo dos gentios estratégias para isso. A maioria dos convertidos em Tessalónica deve ter sido de gentios, até mesmo idólatras pagãos. Mesmo assim, Lucas se concentra em sua missão aos judeus, que durou apenas três semanas. Alguns deles, talvez, tivessem deixado suas sinagogas para se juntarem a uma igreja cristã. Lucas descreve as diversas respostas ao ministério de Paulo. Muitos creram, pois seu evangelho “chegou em poder”. Os convertidos afluíam de quatro seções da comunidade: judeus, gregos, tementes a Deus e mulheres distintas. Entre eles estavam Aristarco e Secundo, que mais tarde se tornaram companheiros de viagem de Paulo, e até, no caso de Aristarco, seu companheiro na prisão (At 20:4; 27:2).

Paulo era mais que apenas um pastor. Era pioneiro, sempre com os olhos em novos campos a conquistar. Como plantador de igrejas, Paulo estava disposto a deixar para outros a tarefa de regá-las (1Co 3:6). Estava muito mais interessado em desbravar novos territórios (Rm 15:20).

Foi através desses homens singularmente qualificados, que Jesus continuou a realizar Sua obra e ensinar, para estabelecimento da igreja cristã no primeiro século. Hoje, igualmente, Ele necessita de homens e mulheres semelhantes para o término da evangelização do mundo no século 21.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

3º Trimestre/2012 – Epístolas aos Tessalonicenses

Lição 1
30 de junho a 7 de julho

O Evangelho chega a Tessalónica
Sábado à tarde

VERSO PARA MEMORIZAR: “Também agradecemos a Deus sem cessar, pois, ao receberem de nossa parte a Palavra de Deus, vocês a aceitaram não como palavra de homens, mas segundo verdadeiramente é, como Palavra de Deus, que atua com eficácia em vocês, os que crêem” (1Ts 2:13, NVI).

Leituras da semana: At 16:9-40; 17:1-4, 12; Jr 23:1-6; Is 9:1-7; Is 53; Rm 1:16

Pensamento-chave: A certeza das promessas de Deus deve estar apoiada na confiança nas Sagradas Escrituras.

O jovem pastor auxiliar sentou-se do lado de fora da igreja com uma jovem senhora que tinha acabado de ser batizada. Para sua surpresa, ela disse: “Preciso ser batizada de novo.”

Quando o pastor perguntou por que desejava fazer isso, ela respondeu: “Há coisas que eu não disse ao pastor distrital sobre o meu passado.”

Assim começou uma longa conversa sobre o perdão oferecido por Cristo. Ela prestou atenção de modo ávido. Quando o pastor terminou de orar com ela, uma forte chuva de repente encharcou os dois. Com os olhos brilhando, a jovem disse: “Estou sendo batizada novamente!”

Um Deus bondoso, muitas vezes, oferece sinais vivos, como essa chuva inesperada, para assegurar aos cristãos que eles estão justificados diante dEle. Mas nossa confiança em Deus será alicerçada ainda mais solidamente quando estiver fundamentada no claro ensino de Sua Palavra. Nesta lição veremos que o cumprimento da profecia proveu firme segurança para os novos cristãos em Tessalónica.
Domingo

Os pregadores pagam um preço
1. Por que os filipenses reagiram de modo tão negativo ao evangelho? Que lição aprendemos com essa reação e que precauções devemos adoptar diante desse risco? De que outras formas esse princípio pode se manifestar, mesmo na vida dos cristãos? At 16:9-40

O evangelho é a boa notícia das ações poderosas de Deus em Cristo que levam ao perdão, aceitação e transformação (Rm 1:16, 17). Por meio do pecado, o mundo inteiro foi condenado; por intermédio da morte e ressurreição de Jesus, todo o mundo recebeu uma nova oportunidade de ter a vida eterna que Deus originalmente desejou para toda a humanidade. A poderosa obra de Deus foi realizada por nós sendo nós ainda pecadores (Rm 5:8). Essa obra de redenção foi efetuada fora de nós, por Jesus, e a ela nada podemos acrescentar. No entanto, o evangelho se torna real em nossa vida unicamente quando aceitamos não apenas sua condenação de nossos pecados, mas o divino perdão desses pecados por meio de Jesus.

Sendo que o evangelho é uma notícia tão boa, e é gratuito, por que alguém iria resistir-lhe ou lutar contra ele? A resposta é simples: aceitar o evangelho exige que deixemos de confiar em nós mesmos e nas coisas materiais, como dinheiro, poder e atração sexual. Essas coisas são boas quando submetidas à vontade e aos caminhos de Deus. Mas quando as pessoas se apegam a essas questões triviais que substituem a segurança do evangelho, sua mensagem e os que a proclamam se tornam uma ameaça.

Leia 1 Tessalonicenses 2: 1, 2. Paulo e Silas entraram em Tessalônica sofrendo, carregando no corpo as feridas e hematomas resultantes da violenta surra que receberam e da prisão em Filipos (At 16:22-24). Porém, sinais do grande poder de Deus (At 16:26, 30, 36) os haviam encorajado. Eles entraram ousadamente na sinagoga de Tessalônica, apesar da dor que sentiam, e falaram novamente do Messias que havia mudado a vida deles e os enviara em uma missão de pregar as boas-novas em lugares em que não tinham sido ouvidas antes.

Se não formos cuidadosos, que coisas do mundo podem nos afastar do Senhor? Por que é tão importante manter a cruz e seu significado sempre no centro de nossos pensamentos, especialmente quando a atração do mundo parece mais forte?

Segunda-feira

A estratégia de pregação de Paulo

2. Quais foram os passos estratégicos seguidos por Paulo ao trabalhar em Tessalônica? At 17:1-3

Embora 1 Tessalonicenses estivesse entre as primeiras cartas de Paulo, tanto sua teologia quanto sua estratégia missionária estavam bem desenvolvidas no tempo em que ele chegou a Tessalónica.

O primeiro passo na estratégia missionária de Paulo era frequentar a sinagoga local aos sábados. Naturalmente, o sábado era um bom momento para alcançar grande número de judeus. No entanto, estava funcionando ali mais do que apenas uma estratégia missionária. Paulo teria tomado tempo para oração e adoração no sábado, mesmo que nenhum judeu nem alguma sinagoga estivessem disponíveis (At 16:13).
Naqueles dias, era comum que os judeus convidassem os visitantes para falar na sinagoga, especialmente se eles tivessem vivido em Jerusalém, como havia sido o caso de Paulo e Silas. A congregação era ávida para ouvir notícias da vida judaica em outros lugares. Eles também se interessavam por novas ideias que os visitantes tivessem descoberto em seus estudos das Escrituras. Assim, a estratégia de Paulo se ajustava ao ambiente da sinagoga.

O segundo passo na estratégia de Paulo era pregar diretamente das Escrituras que eles conheciam, o Antigo Testamento. Ele também começava com um tópico de grande interesse para os judeus daquela época: o Messias (“o Cristo” é o equivalente grego de “Messias” em hebraico; At 17:3). Utilizando textos do Antigo Testamento, Paulo demonstrava que o Messias teria que sofrer antes de obter a glória com que os judeus estavam familiarizados. Em outras palavras, a versão popular e gloriosa da missão do Messias era apenas uma parte do quadro. Quando o Messias aparecesse pela primeira vez, Ele seria um Servo sofredor e não um conquistador real.
Em terceiro lugar, tendo estabelecido uma nova imagem do Messias em sua mente, Paulo passava a contar a história de Jesus. Ele explicava como a vida de Jesus correspondia ao padrão da profecia bíblica que ele tinha acabado de compartilhar com eles. Sem dúvida, ele acrescentava histórias sobre suas próprias dúvidas e oposição anteriores, e também falava do poder convincente de seu encontro pessoal com o Cristo exaltado. De acordo com Lucas 24:25-27, 44-46, a estratégia de pregação de Paulo em Tessalónica seguiu o mesmo padrão que Jesus havia usado com Seus discípulos depois da ressurreição.

Observe que Paulo procurava alcançar as pessoas onde elas estavam e usava aquilo com que elas estavam familiarizadas. Por que essa estratégia é tão importante? Pense naqueles que você deseja alcançar. Como você pode aprender a começar onde eles estão e não onde você está?

Terça-feira
Duas visões do Messias

Desde os tempos antigos, os leitores do Antigo Testamento têm notado uma variedade de perspectivas nas profecias que apontam para o Messias. Muitos judeus e os primeiros cristãos identificaram duas grandes vertentes nas profecias messiânicas. Por um lado, havia textos que apontavam para um Messias majestoso: um rei conquistador que traria justiça ao povo e estenderia o domínio de Israel até os confins da Terra. Por outro lado, havia textos que sugeriam que o Messias seria um Servo sofredor, humilhado e rejeitado. O erro de muitos estava em não entender que todos esses textos se referiam à mesma pessoa, em diferentes aspectos da Sua obra, em momentos diferentes.

3. Que características teria o futuro libertador? Existe algum tipo de “conflito” entre as imagens apresentadas? Jr 23:1-6; Is 9:1-7; 53:1-6; Zc 9:9
Antes da vinda do Messias, esses textos eram intrigantes. Por um lado, os textos messiânicos com ênfase na realeza normalmente não continham indício de sofrimento ou humilhação. Por outro lado, os textos com ênfase no Servo sofredor geralmente descreviam o Messias como tendo pouco poder ou autoridade terrena. Uma forma pela qual os judeus da época de Jesus resolviam esse problema era ver o Servo sofredor como símbolo de toda a nação e seus sofrimentos no decorrer do exílio e da ocupação. Removendo esses textos da equação messiânica, muitos judeus esperavam o Messias real ou conquistador. A exemplo de Davi, esse rei expulsaria os ocupantes e restauraria o lugar de Israel entre as nações.

Evidentemente, o grande problema de remover da equação os textos sobre o Servo sofredor é que há, de fato, passagens significativas do Antigo Testamento que misturam as duas principais características do Messias. Elas descrevem a mesma pessoa. O que é menos claro, à primeira vista, é se essas características ocorrem ao mesmo tempo ou uma após a outra.

De acordo com Atos 17:2, 3, Paulo conduziu os judeus de Tessalônica através desses textos messiânicos do Antigo Testamento e, ao mesmo tempo, examinou seu significado.
Nos tempos antigos, os judeus estavam confusos sobre a primeira vinda do Messias. Hoje, encontramos muita confusão sobre a segunda vinda. O que isso deve nos dizer sobre a necessidade de realmente procurar compreender a verdade da Bíblia? Por que a falsa doutrina pode ser tão problemática?

Quarta-feira
Sofrimento antes da glória
Jesus, assim como Paulo, estudava o Antigo Testamento e chegou à conclusão de que o Messias “devia” “sofrer estas coisas, para entrar na Sua glória” (Lc 24:26, NVI). “Devia”, em Lucas 24:26, traduz a mesma palavra de Atos 17:3, em que Paulo diz que o Messias “deveria sofrer” (NVI). Para Jesus e Paulo, a ideia do sofrimento antecedendo a glória foi incluída nas profecias muito antes que elas ocorressem. A questão é: com que base do Antigo Testamento eles chegaram a essa conclusão?

Eles provavelmente tivessem notado que os personagens mais importantes do Antigo Testamento tiveram um longo período de sofrimento antes de entrar no período glorioso de sua vida. José passou cerca de treze anos na prisão antes de assumir o cargo de primeiro ministro do Egito. Moisés passou 40 anos guiando ovelhas pelo deserto antes de desempenhar sua função como o poderoso líder do Êxodo. Davi passou muitos anos como fugitivo, parte desse tempo em terras estrangeiras, antes de ser elevado à realeza. Daniel foi prisioneiro de guerra, e foi até mesmo condenado à morte, antes de ser elevado à posição de primeiro ministro da Babilónia. Na história desses servos de Deus do Antigo Testamento há prenúncios do Messias, que também sofreria e seria humilhado, antes de ser elevado à Sua plena função real.
O ponto culminante dessa convicção do Novo Testamento é o texto do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento: Isaías 53. O Servo sofredor de Isaías era um homem de dores, desprezado e rejeitado (Is 53:2-4). Como um cordeiro do santuário, Ele seria abatido por causa dos nossos pecados (Is 53:5-7), de acordo com a vontade do Senhor (Is 53:8-10). Mas “depois do sofrimento de Sua alma” (Is 53:11, NVI), Ele justificaria muitos e receberia uma herança poderosa (Is 53:12).
Para os escritores do Novo Testamento, Isaías 53 foi a chave para o papel do Messias. Paulo certamente pregou sobre esse texto em Tessalónica. De acordo com Isaías 53, o Messias não pareceria majestoso nem poderoso no momento da Sua primeira manifestação. Na verdade, Ele seria rejeitado por muitos de Seu próprio povo. Mas essa rejeição seria o prelúdio para a manifestação do Messias glorioso da esperança judaica. Com isso em mente, Paulo foi capaz de mostrar que o Jesus que ele havia conhecido era, de fato, o Messias que o Antigo Testamento tinha predito.
4. Com espírito de oração, leia Isaías 53. Que símbolos indicam que Jesus sofreria antes de Sua glória? O que Ele sofreu para que você tivesse a vida eterna? À luz desse amor divino, em que posição Cristo deve estar em nossa vida?

Quinta-feira

Nasce uma igreja

5. Que classes de pessoas formaram o núcleo da igreja de Tessalónica? At 17:1-4, 12

Uma parte da estratégia missionária de Paulo era levar a mensagem primeiramente ao judeu e também ao grego (Rm 1:16). Durante o ministério de Paulo, os judeus regularmente recebiam a primeira oportunidade de ouvir e aceitar o evangelho. E o fato é que, de acordo com a Bíblia, na época de Paulo, muitos judeus aceitaram Jesus como o Messias. Mais tarde, quando a igreja começou a apostatar e rejeitar a lei, especialmente o sábado, tornou-se cada vez mais difícil para os judeus aceitar Jesus como o Messias, porque, afinal, que Messias anularia a lei, especialmente o sábado?

Como o texto mostra, alguns dos judeus de Tessalónica foram persuadidos pela exposição que Paulo fez dos textos messiânicos relacionados à história de Jesus. Um deles, Aristarco, foi mais tarde um colaborador de Paulo e, em certo momento, até companheiro de prisão (Cl 4:10, 11; At 20:4). Outro, Jasão, era aparentemente rico o suficiente para abrigar a igreja em sua casa, depois que os cristãos já não eram bem-vindos na sinagoga. Ele também proveu pelo menos uma parte da fiança necessária para evitar a prisão de Paulo (At 17:4-9).

Os “gregos tementes a Deus” (At 17:4, NVI) são geralmente identificados com os gentios que ficavam encantados com o judaísmo, frequentavam a sinagoga, mas não se convertiam. Esse era um fenómeno generalizado nos dias de Paulo. Esses gentios se tornaram uma ponte natural para que Paulo alcançasse os gentios que não tinham nenhum conhecimento do judaísmo nem do Antigo Testamento.
A característica judaica, e relativamente rica, da igreja de Tessalónica em seu início, é enfatizada em Atos 17 (como no verso 12), em que preeminentes gregos também se tornaram crentes. Contudo, é claro que, no tempo em que foi escrita a primeira carta aos Tessalonicenses, a igreja para a qual Paulo estava escrevendo era, em grande parte, composta de gentios (1Ts 1:9) das classes trabalhadoras (1Ts 4:11).

O que podemos ver aqui é o caráter universal do evangelho, o fato de que ele se destina a todos os povos, classes e raças; para ricos ou pobres, gregos ou judeus, porque a morte de Cristo beneficiou o mundo inteiro. É por isso que a mensagem adventista do sétimo dia é para todo o mundo (Ap 14:6), sem excepções fundamentadas em etnia, nacionalidade, classe social ou situação económica. É muito importante manter essa missão sempre diante de nós. Assim também é importante que não nos tornemos isolados, absortos em nossos próprios pensamentos e mais interessados em manter o que temos do que em avançar para além dos limites confortáveis que, talvez até inconscientemente, estabelecemos para nós mesmos.

Sexta-feira

Estudo adicional
Desde os dias de Paulo até o presente, Deus, pelo Seu Espírito Santo, tem estado a chamar tanto judeus como gentios. “Para com Deus não há acepção de pessoas” (Rm 2:11), declarou Paulo. O apóstolo se considerava devedor “tanto a gregos como a bárbaros” (Rm 1:14), bem como a judeus; mas jamais ele perdeu de vista as decididas vantagens que os judeus haviam possuído sobre outros, “primeiramente”, porque “as palavras de Deus lhe[s] foram confiadas” (Rm 3:2, RC). Declarou ele: “O evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16; Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 380).

“Paulo recorreu às profecias do Antigo Testamento... Pelo inspirado testemunho de Moisés e dos profetas, provou cabalmente que Jesus de Nazaré era o Messias, e demonstrou que, desde os dias de Adão, foi a voz de Cristo que falara por intermédio dos patriarcas e profetas” (Ibid, p. 222; veja a extensa quantidade de textos do Antigo Testamento que seguem nas páginas 222-229).

“Na proclamação final do evangelho, quando deve ser feito um trabalho especial pelas classes de pessoas até aqui negligenciadas, Deus espera que Seus mensageiros tomem interesse especial pelo povo judeu, o qual eles encontram em todas as partes da Terra... Ao verem o Cristo da dispensação evangélica retratado nas páginas das Escrituras do Antigo Testamento, e perceberem a clareza com que o Novo Testamento explica o Antigo, suas adormecidas faculdades despertarão e eles reconhecerão Cristo como o Salvador do mundo. Muitos receberão Cristo pela fé como seu redentor” (Ibid. p. 381).

Perguntas para reflexão

1. Paulo abordava os judeus de sua época com base nas profecias messiânicas do Antigo Testamento. Até que ponto essa abordagem é proveitosa hoje com os judeus, especialmente os judeus seculares que podem até não estar familiarizados com as profecias do Antigo Testamento?
2. Como as profecias da Bíblia podem ser apresentadas para influenciar seus amigos e vizinhos de maneira mais eficaz? Por exemplo, como Daniel 2 poderia ajudar alguém de perspectiva secular ou não bíblica a confiar na Bíblia?

Resumo:
Uma série de pontos importantes foram estudados nesta primeira semana. Acima de tudo, devemos lembrar a importância que a Palavra de Deus tem na nossa vida, na nossa missão e no nosso testemunho.

Respostas sugestivas: 1: Porque uma jovem foi libertada de um espírito de adivinhação, o que prejudicou os interesses financeiros de algumas pessoas. Devemos estar preparados para a perseguição, mas não devemos provocá-la. 2: Paulo começou pregando aos judeus na sinagoga, aos sábados. Com base nas Escrituras, ele demostrou a necessidade do sofrimento e ressurreição de Cristo. 3: Seria pastor das ovelhas, descendente de Davi, sábio e justo, salvador glorioso e rei humilde; sofreria em lugar dos pecadores. 4: Renovo; raiz de uma terra seca; cordeiro; ovelha muda sacrificada em lugar dos transgressores. Jesus deve ser o primeiro em nossa vida. 5: Judeus convertidos, gregos piedosos e mulheres de alta posição.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Um Ministério Perpétuo

Sábado à tarde
VERSO PARA MEMORIZAR:
“Com que se parece o Reino de Deus? Com que o compararei? É como um grão de mostarda que um homem semeou em sua horta. Ele cresceu e se tornou uma árvore, e as aves do céu fizeram ninhos em seus ramos” (Lc 13:18, 19, NVI).

Leituras da semana: Jo 4:7-30; At 2:42; 11:19-23; 2Tm 2:1-7; 2Co 5:18-20

Pensamento-chave: Evangelismo e testemunho são o meio pelo qual a semente de mostarda (a igreja de Deus) se torna uma grande árvore que enche o mundo.

Você pode ter ouvido dizer ou pode até mesmo ter dito: “Eu já fiz a minha parte. Agora deixarei a tarefa para os mais jovens.” Ou: “Fui líder de evangelismo durante muito tempo. Agora vou deixar que as pessoas mais novas assumam a liderança.”

Em certo sentido, esse tipo de declaração é compreensível. As pessoas envelhecem, às vezes sua saúde falha ou outras circunstâncias da vida as impedem de manter a liderança nos ministérios da igreja. Às vezes as pessoas simplesmente ficam esgotadas e precisam de uma pausa. Além disso, também, alguns podem acreditar que o Senhor os chama a cumprir Sua vontade em outras áreas do trabalho da igreja.

No entanto, há uma grande diferença entre mudar a ênfase do ministério e deixar de ministrar. Enquanto temos fôlego devemos, de uma forma ou de outra, continuar ministrando.

Nesta semana focalizaremos nossa necessidade de permanecer envolvidos nos ministérios de evangelismo e testemunho. Não importa qual seja nossa função na igreja, sempre haverá oportunidade de nos envolvermos em algum ministério.

Domingo

Evangelismo e Testemunho Incessante

É preciso enfatizar novamente que testemunho e evangelismo devem continuar enquanto houver pessoas que necessitam de salvação. É plano de Deus salvar tantas pessoas quanto possível. Entretanto, os que aceitaram Jesus como Salvador pessoal são chamados a trabalhar com Deus nessa obra de salvar. Não importa quem somos, onde estamos e em que circunstâncias nos encontramos; se nosso coração está em sintonia com Cristo, se temos profunda apreciação pelo que Ele fez por nós e pelo que Ele nos pede que façamos em resposta, sempre teremos oportunidade de testemunhar e ministrar.

1. O que a mulher samaritana encontrou na pessoa e nas palavras de Jesus que a impeliu a compartilhar com os habitantes da sua cidade? Que princípios do testemunho encontrados nesse relato podem nos ajudar na obra de alcançar os outros? Jo 4:7-30

Parece que Jesus seguiu uma “fórmula” simples quando falou com a mulher de Samaria: 1. Ele chamou sua atenção: “Dê-me um pouco de água” (v. 7, NVI); 2. Ele despertou seu interesse: “Como o Senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?” (v. 9, NVI); 3. Ele criou um desejo: “Senhor, dê-me dessa água” (v. 15, NVI); 4. Ele produziu convicção: “Senhor, vejo que é profeta” (v. 19, NVI); e 5. Ações posteriores: “Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que Ele não é o Cristo?” (v. 29, NVI).


Esses cinco estágios de evangelismo não precisam necessariamente ocorrer em um único encontro como aconteceu com Jesus e a mulher junto ao poço de Jacó. Eles podem acontecer durante um período em que você continua a testemunhar para alguém. As situações variam muito, mas os princípios vistos nessa passagem podem ser amplamente aplicados às nossas tentativas de alcançar as pessoas.

Além disso, embora a conversa inicial estivesse relacionada com a água literal, o objetivo de Jesus era fazer com que a mulher samaritana desejasse beber a água da vida. No fim, ainda que sejamos chamados a ajudar as pessoas nas situações em que as encontramos, e a ministrar às suas necessidades da forma que podemos, nunca devemos nos esquecer de que sua maior necessidade é a salvação em Jesus.

Quantas vezes você aproveita as oportunidades de testemunhar ou de ministrar? Não é verdade que muitas vezes encontramos pessoas que, apesar da interação conosco, não têm a mínima ideia da doutrina em que acreditamos, dos princípios que defendemos nem da esperança que temos? Como podemos nos tornar testemunhas mais eficientes?

Segunda-feira

Um ambiente estimulante

Uma parte vital da evangelização ocorre na igreja a cada semana. Esse aspecto do evangelismo é chamado de “nutrição” e “integração”. Temos sido muito bons em convidar as pessoas para nossas igrejas, mas nem sempre temos criado com tanta eficiência um ambiente que incentive as pessoas a voltar e se firmar na comunhão. Se devemos fazer discípulos, precisamos dar atenção ao estabelecimento e sustentação de cada novo cristão.

O que isso significa? “Estabelecer” dá a ideia de colocar alguma coisa sobre uma base firme e permanente. É ajudar a proporcionar ao recém-convertido um alicerce de fé e comunhão. A ideia de “nutrir” geralmente é explicada por conceitos como “cultivar, criar, cuidar, promover, treinar e educar”. Quando alguém aceita o Senhor Jesus como Salvador pessoal, todas essas áreas do estabelecimento e nutrição devem ser aplicadas espiritual e socialmente dentro da comunidade cristã. Em outras palavras, um novo cristão precisa ser desenvolvido, cuidado, estimulado, treinado e educado nos caminhos do Senhor.

“Companheirismo” é fundamental. Nesse ambiente, as pessoas tocam e influenciam umas às outras. Os que se unem a uma igreja devem receber atenção por meio da comunhão espiritual.

2. Qual é a importância da comunhão espiritual entre os cristãos? Por que isso é especialmente importante no caso de novos cristãos, aqueles que vêm para a igreja por meio do nosso evangelismo e testemunho? 1Jo 1:7; At 2:42; 11:19-23; 20:35 e Rm 1:11, 12

A palavra nós em 1 João 1:7 nos revela que, embora devamos andar na luz, individualmente, devemos também andar na luz em comunidade. Se os cristãos andarem na luz, haverá comunhão e unidade. Consequentemente, haverá um ambiente de crescimento, no qual as pessoas focalizarão a vontade de Deus para sua vida e o encorajamento de uns aos outros na caminhada cristã. Embora seja importante ajudar os novos membros a se sentir felizes e satisfeitos na igreja, também é importante levá-los a se tornar discípulos no sentido mais pleno da palavra, o que inclui o desenvolvimento da capacidade de levar outros a um relacionamento salvífico com o Senhor Jesus.

Sua igreja dedica atenção à consolidação dos novos membros de modo planejado? Como você pode se tornar mais envolvido em ajudar a nutrir os novos membros (ou até mesmo os “mais antigos”), em relação a esse assunto?

Terça-feira

Formando instrutores

No mundo em que vivemos, as pessoas estão sempre mudando. As igrejas locais estão regularmente efetuando transferências de membros que vêm e vão, e muitas vezes lamentam a perda de membros capazes que se dedicavam a ministérios importantes. Devido a essa possível transferência de habilidades, e visto que o ministério de evangelismo e testemunho da igreja local deve continuar se expandindo, há grande necessidade de multiplicar esses ministérios.

3. Que princípios a respeito da formação de instrutores podemos tirar das instruções de Paulo a Timóteo? Como devemos aplicar esses princípios em nosso trabalho para o Senhor, seja qual for a função que desempenhamos? 2Tm 2:1-7

Paulo apresentou a Timóteo a importância de ver o quadro mais amplo do trabalho da igreja, em relação à sua extensão e duração. Os ministérios pastoral e de ensino não devem ser centralizados apenas em um homem. Eles devem ser a obra de grande número de testemunhas e evangelistas na igreja. Basicamente, Paulo estava dizendo a Timóteo que treinasse outros para a liderança na igreja porque, finalmente, a geração mais antiga de líderes morreria. Um princípio da instrução a Timóteo é que aqueles a quem ele instruísse, por sua vez também ensinariam aos outros, garantindo assim que a missão da Igreja no mundo fosse contínua e expansiva. Isso está em harmonia com o chamado de Jesus para que haja mais trabalhadores na seara.

Dizem: “Dê a um homem um peixe e você o alimentará por um dia; ensine-o a pescar e você o alimentará e à sua família enquanto ele viver”. O problema é que, se o homem não transmitir aos filhos sua habilidade de pescar, a geração seguinte passará fome. Talvez o ditado devesse ser modificado: “Dê a um homem um peixe e você o alimentará por um dia; ensine um homem a pescar e a transmitir seu conhecimento e técnicas de pescaria, e um número incontável de pessoas continuarão a ser alimentadas”. Essa é a diferença entre formar pessoas e treiná-las para ser instrutores.

Pense em sua experiência. Alguém já lhe ensinou como testemunhar aos outros? Você já pediu para ser treinado quanto à maneira de testemunhar aos outros? Comente com a classe.

Quarta-feira

Resgatando pessoas afastadas

Apóstata é uma palavra que gostaríamos de eliminar do vocabulário cristão. No entanto, o fato é que muitas pessoas se afastam da igreja e de um relacionamento de salvação com o Senhor. Embora as pessoas às vezes nos deixem por causa da doutrina, na maioria das vezes elas nos deixam por outros motivos, geralmente conflitos pessoais e coisas semelhantes. Independentemente das razões, precisamos fazer tudo o que pudermos para criar um ambiente de amor e carinho que motive os que se unem conosco a permanecer entre nós, apesar dos problemas pessoais que surgem inevitavelmente.

Ao mesmo tempo, precisamos ter um ministério para cuidar dos ex-membros e dos membros que não mais estão frequentando, como parte do planejamento do nosso programa de testemunho e evangelismo. Uma rápida olhada na lista de membros de muitas igrejas provavelmente revelará que há muito mais nomes na lista do que pessoas que frequentam o culto a cada sábado. Esses nomes podem ser o início de um ministério especial em favor das pessoas que Deus jamais deixou de amar intensamente.

4. Com base no contexto da reconciliação realizada por Cristo, que princípio podemos aplicar em nossa igreja? Qual é a importância do ministério da reconciliação para os que seguiram a Deus no passado, mas d´Ele se afastaram? 2Co 5:18-20

Resgatar ex-membros é um ministério especial. Além disso, esse ministério é tão evangelístico quanto a obra de alcançar pessoas que jamais aceitaram a Cristo antes. A própria palavra reconciliação implica que anteriormente houve uma unidade e comunhão entre o homem e Deus, e que foi restaurada por meio de Jesus Cristo. Da mesma forma, recebemos agora um ministério de reconciliação que inclui o esforço para alcançar os que, no passado, adoraram conosco.

Na verdade, é possível argumentar que, em Mateus 10:5, 6, Jesus enviou Seus discípulos para reconquistar os judeus que se haviam afastado de um relacionamento salvífico com seu Senhor. Assim, é inteiramente apropriado que nós hoje também participemos do trabalho em favor das pessoas que têm uma história especial com Deus e Sua igreja.

Pense naqueles que deixaram a igreja e na razão pela qual eles fizeram isso. Há alguma pessoa com quem você poderia restabelecer contato e recomeçar a amizade, a quem você poderia ministrar e procurar reconectar com a igreja? Ore buscando descobrir como fazer isso.

Quinta-feira

A porta dos fundos

Você já notou como as pessoas lamentam o fato de que muitas vezes os membros da igreja saem “pela porta dos fundos”? Elas até declaram firmemente que a porta dos fundos da igreja deve ser fechada, mas falham em nos mostrar como fechar essa porta ou até mesmo a localização dela. Algumas igrejas em crescimento podem pensar que sua porta dos fundos está fechada, mas na realidade pode estar acontecendo simplesmente que mais pessoas estão entrando pela porta da frente do que saindo pela porta dos fundos. Embora seja melhor que mais pessoas estejam entrando pela porta da frente do que saindo pela porta dos fundos (o que ocorre em alguns lugares), ainda assim queremos fazer o que for possível para conservar nossos membros.

Descobrir qual é a porta dos fundos e tentar fechá-la exigirá estratégias que são, de fato, evangelísticas, visto que nossa missão não é simplesmente ganhar pessoas para Deus, mas também conservá-las.

5. Por que os cristãos devem se reunir regularmente? Quando nos reunimos para a comunhão, temos encorajado uns aos outros? Como podemos intensificar esse princípio? Hb 10:25

A decisão de deixar a comunhão geralmente não é tomada subitamente. Em vez disso, a maioria das pessoas passa por um processo de afastamento silencioso. Assim como, para elas, aproximar-se de Cristo e da igreja foi uma jornada, o processo de saída é outra jornada. Na maioria das vezes, o afastamento não é uma estratégia conscientemente planejada. Pouco a pouco, as pessoas começam a ficar desligadas, desencantadas e insatisfeitas com as coisas na igreja. Talvez, em alguns casos, com razão. Portanto, procuremos estar cientes da jornada dos que nos rodeiam na igreja.

6. Que admoestações podem nos ajudar a manter fechada a porta dos fundos? O que você e sua igreja podem fazer para viver essas importantes verdades? Rm 14:13; Gl 5:13; Ef 4:32

Uma igreja carinhosa, que continua cuidando, é um lugar no qual todos estão concentrados em seu relacionamento pessoal com Jesus. Eles têm um conceito claro do valor que Jesus dá a cada indivíduo. Fechar a porta dos fundos envolve se aproximar das pessoas, descobrindo suas necessidades, na medida em que elas estejam dispostas a compartilhar, e atender a essas necessidades, quando for apropriado. Isso é algo que nenhum programa da igreja pode proporcionar. Apenas pessoas amorosas e carinhosas conseguem fazer isso.

Sexta-feira

Estudo adicional
Os envolvidos em um ministério de testemunho devem dar atenção à forma pela qual possam fazer com que seu ministério seja contínuo, e não um evento ocorrido uma única vez. O que você deve fazer?


1. Tenha disposição para compartilhar a liderança, em vez de ser uma banda de uma só pessoa.
2. Faça o que for possível para manter diante da igreja a importância do ministério de sua equipe. Isso incluirá relatórios periódicos à comissão geral de evangelismo, informações no boletim da igreja, informativo especial, cartazes no quadro de avisos e solicitação de verbas no orçamento da igreja.
3. Procure constantemente pessoas que você possa convidar para participar de sua equipe ou para formar outra equipe. Se alguém se oferecer para participar da equipe, isso é bom; no entanto, será melhor convidar individualmente as pessoas.
4. Realize regularmente eventos de treinamento.

Perguntas para reflexão

1. Sua igreja tem um programa de treinamento evangelístico? Como melhorar a situação?
2. “Precisamos ser canais através dos quais Deus possa enviar luz e graça ao mundo. Os infiéis precisam ser recuperados. Precisamos apartar-nos de nossos pecados, pela confissão e pelo arrependimento, humilhando nosso orgulhoso coração perante Deus. Torrentes de poder espiritual serão derramadas sobre aqueles que estão preparados para recebê-las” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 8, p. 46). O que é necessário, e por que, para ajudar a trazer as pessoas de volta para a igreja e para a maravilhosa mensagem da “verdade presente”?
3. Quando as pessoas se afastarem da igreja, vamos amá-las e manter contato com elas; vamos evitar julgá-las e chamá-las de “apóstatas” ou, ainda pior, não atiremos contra elas citações de Ellen White sobre pessoas que se afastam. Em vez disso, vamos usar essas experiências tristes para, como disse Paulo, examinar se estamos na fé (2Co 13:5) e perguntar se poderíamos ter feito alguma coisa de modo diferente a fim de ajudar a manter essas pessoas entre nós. E ainda mais importante, vamos evitar alguma atitude que torne mais difícil a volta delas.

Respostas sugestivas: 1. Jesus derrubou preconceitos; ofereceu vida eterna; conhecia a mulher; ensinou-lhe sobre adoração; a mulher falou de sua experiência. 2. Jesus está na luz; se andarmos na luz, teremos comunhão com Ele e com os que estão na luz; a comunhão traz segurança espiritual. 3. Devemos nos fortalecer na graça; transmitir o conhecimento a pessoas fiéis, que devem intruir a outros, e assim sucessivamente. 4. Deus nos reconciliou consigo por meio de Cristo; Jesus reconcilia outras pessoas com Ele por meio de nós. 5. Na congregação recebemos orientações e exortações que nos preparam para a volta de Jesus, e encorajamos os irmãos. 6. Não julgar uns aos outros; não usar a liberdade para pecar; servir aos outros pelo amor; bondade, compaixão e perdão.

sábado, 23 de junho de 2012

ANTES DE JULGAR...

Um médico entrou num hospital apressado, depois de ter sido chamado para uma cirurgia urgente. Ele respondeu à chamada imediatamente, e mal chegou trocou-se e foi direto para o bloco operatório. Pelo caminho encontrou o pai do rapaz que ia ser operado a andar para trás e para frente à espera do médico. Quando o viu, o pai gritou:
- Porque demorou este tempo todo a vir? Não sabe que a vida do meu filho está em perigo? Você não tem o mínimo de sentimento e de responsabilidade?
O médico sorriu e respondeu serenamente:
- Peço-lhe desculpa, não estava no hospital e vim assim que recebi a chamada. Agora, gostaria que você se acalmasse para que eu também possa fazer o meu trabalho.
- Acalmar-me? E se o seu filho estivesse dentro do bloco operatório, você também ficaria calmo? E se o seu filho morresse o que faria? - disse o pai visivelmente agitado.
- Ficar nesse estado alterado e de nervos não vai ajudar nada, nem a si, nem a mim e muito menos ao seu filho. Prometo-lhe que farei o melhor que sei e consigo dentro das minhas capacidades, disse o médico.
- Falar assim é fácil, quando não nos diz respeito, murmurou o pai entre dentes.
Passadas algumas horas, a cirurgia terminou e o médico saiu sorridente de encontro ao pai.
- A cirurgia foi um sucesso. Conseguimos salvar o seu filho! Se tiver alguma questão pergunte à enfermeira.
Sem esperar pela resposta, o clínico prosseguiu caminho visivelmente apressado. O pai irritado dirigiu-se à enfermeira e desabafou:
- O médico é mesmo arrogante. Será que lhe custava muito ficar aqui mais uns minutos para eu lhe questionar em relação ao estado geral do meu filho?
A enfermeira, um pouco abalada e quase a chorar respondeu-lhe:
- O filho do doutor morreu ontem num acidente rodoviário. Ele estava no funeral quando o chamamos para a cirurgia do seu filho. Agora que a cirurgia terminou e o seu filho foi salvo, o doutor voltou para o funeral para prestar a última homenagem ao filho dele.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Avaliando o Testemunho e o Evangelismo

Sábado à tarde
Ano Bíblico: Sl 10–17
VERSO PARA MEMORIZAR: “Como brinco de ouro e enfeite de ouro fino é a repreensão dada com sabedoria a quem se dispõe a ouvir” (Pv 25:12, NVI).
Leituras da semana: 2Co 13:5, 6; Hb 10:24, 25; Dt 10:12, 13; Mt 23:15; Ap 14:6, 7
Pensamento-chave: É um erro se envolver na grande obra divina do evangelismo sem uma avaliação eficaz.

Muitas vezes ficamos satisfeitos com resultados mínimos no evangelismo, quando poderíamos ter exercido maior influência e obtido muito mais sucesso se tivéssemos avaliado nossos esforços anteriores. Dessa maneira, poderíamos ter permitido que nossas descobertas orientassem as estratégias futuras.

Às vezes, grandes somas de dinheiro são investidas em ministérios de evangelismo e testemunho, mas os resultados são mínimos. Isso tem levado à sugestão de mudanças na distribuição do orçamento e/ou nos procedimentos. Se apresentadas sem espírito crítico, essas questões podem ser parte da avaliação sadia. No entanto, devemos acrescentar de antemão que, de fato, não conhecemos todos os resultados de um programa específico, porque podemos nos concentrar apenas nos resultados tangíveis (tais como número de pessoas batizadas) e não saber até que ponto as sementes do evangelho foram espalhadas. Contudo, ainda há a necessidade de avaliar de uma forma que envolva uma análise, mas que evite o espírito crítico.

Nesta semana, consideraremos a avaliação como um princípio bíblico e examinaremos seu valor como um procedimento contínuo na vida da igreja local.

Domingo

Por que avaliar?

A avaliação acontecerá, quer a realizemos ou não. A cada sábado e em cada reunião pública acontece uma avaliação. As pessoas avaliam o conteúdo, a clareza e até mesmo a duração do sermão. E os que frequentam reuniões públicas esperam um alto nível de profissionalismo. Em qualquer lugar e tempo em que as pessoas tenham expectativas, haverá avaliação. Embora não possamos apontar um texto em que uma avaliação formal tenha sido feita, é evidente que a avaliação era uma parte importante da vida da igreja primitiva.

1. Qual é a importância da avaliação? Que tipos de avaliação existem na igreja? 1Tm 3:1-13; 1Co 11:28; 2Co 13:5, 6
Quando a Palavra de Deus estabelece um padrão, exige ou prescreve ações específicas, ou apresenta uma ordem, nossas respostas são abertas à avaliação, que faz perguntas muito importantes: “Como estamos indo nesse ministério específico?”; “Como podemos ser mais eficazes?”

O fato de Paulo ter especificado certas qualificações para diáconos e anciãos mostra que algum tipo de avaliação devia ser feita para verificar a aptidão para essas funções, bem como para avaliar a eficácia nesse ministério.

2. Qual é a resposta de sua igreja à missão dada por Jesus? Que aspectos da missão devem orientar essa avaliação? Mt 28:19, 20
Como servos de Deus, a nós foi confiada a verdade imensamente valiosa do evangelho. Considerando que a mensagem do evangelho deve ser levada a todo o mundo, não deve nos surpreender o fato de que Deus também tem um processo de avaliação. O Senhor está interessado no progresso da obra confiada aos que responderam ao chamado para ser colaboradores na salvação das pessoas.
Como você avalia sua fé e experiência com Deus? Que evidências você tem de que Jesus Cristo está em você? Que ações precisam ser executadas para melhorar a situação? (2Co 13:5).

Segunda-feira
Avaliando de maneira cordial

Embora existam muitos benefícios na avaliação, há algumas armadilhas das quais devemos estar cientes e que precisam ser evitadas. Se formos extremamente rigorosos na avaliação, e focalizarmos principalmente os pontos negativos, há o risco de se criar um ambiente crítico, que irá desencorajar e diminuir a quantidade de voluntários. Para evitar que a avaliação seja percebida como crítica, ela deve ser acompanhada pela genuína gratidão. De fato, na maioria das vezes nos esquecemos de reconhecer o trabalho de nossos obreiros, especialmente os que têm servido no seu ministério específico por um tempo considerável. Eles estão sempre ali fazendo o trabalho, e esperamos que eles continuem ali realizando essa atividade. A avaliação lhe dará a oportunidade de encorajar essas pessoas.

3. Em que situações a igreja deve agradecer aos indivíduos e equipes pelo seu trabalho e pelo seu testemunho? Sua igreja tem demonstrado esse espírito de gratidão e reafirmação? At 16:1, 2; Rm 16:1; 1Co 11:2; Fp 4:14

Em muitas ocasiões, o apóstolo Paulo teve que corrigir a igreja ou pessoas na questão da atitude, comportamento ou doutrina. Isso mostra que alguma avaliação havia ocorrido mas, sempre que podia, Paulo também reconhecia as pessoas pelo apoio que davam a ele pessoalmente, por sua fidelidade a Deus ou pelo fiel desempenho de um ministério específico.

Para ser justo na avaliação, é preciso avaliar não somente os resultados mas também os processos. A avaliação de resultados pergunta se um programa atingiu os resultados planejados. A avaliação do processo analisa o gerenciamento interno do projeto.

4. O que significa considerar uns aos outros no contexto da avaliação e do reconhecimento? Que princípios de avaliação são sugeridos na Bíblia? Hb 10:24, 25

Esses versos são mais do que uma sugestão. Com firmeza, eles nos admoestam a levar a sério o crescimento e desenvolvimento espiritual uns dos outros. Se devemos considerar o que Deus requer em nossa vida cristã, e se atendemos à necessidade de considerar em que ponto estamos na nossa experiência, é preciso também realizar uma avaliação adequada ao considerarmos uns aos outros.

Terça-feira

O que o Senhor pede
E agora, ó Israel, que é que o Senhor, o seu Deus, lhe pede, senão que tema o Senhor, o seu Deus, que ande em todos os Seus caminhos, que O ame e que sirva ao Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e que obedeça aos mandamentos e aos decretos do Senhor, que hoje lhe dou para o seu próprio bem?” (Dt 10:12, 13, NVI).

Considerando os versos acima e o contexto desta semana e de todo o trimestre, responda:
5. Se você fosse resumir o significado essencial dos dois versos acima, o que você diria?
6. De qual texto do Novo Testamento esses versos nos fazem lembrar? Que lição isso nos mostra sobre a importância da admoestação de Deuteronómio 10?Mt 22:37, 38
7. O texto diz que Deus “pede” (ou “requer”) essas coisas de nós. Como devemos entender o significado dessas coisas no contexto da salvação unicamente pela fé?
8. O texto lida em grande parte com nosso coração e mente, com o amor e temor, coisas que muitas vezes são difíceis de julgar pelas aparências. Que manifestações exteriores de coisas interiores esses versos mencionam? Como essa ligação entre o interior e o exterior se harmoniza com a compreensão de Apocalipse 14:6-12?
Em Mateus 23:15, Jesus comunicou aos escribas e fariseus uma avaliação severa sobre o “testemunho” e “evangelismo” realizado por eles para alcançar os gentios. Assim, na busca bem-intencionada de cumprir a comissão evangélica, devemos manter sempre diante de nós as profundas verdades expressas em Deuteronômio 10:12, 13. Afinal, com todos os nossos esforços para conquistar pessoas, a última coisa que queremos fazer é gerar mais “filho[s] do inferno”.

Quarta-feira

Avaliando para o crescimento espiritual
O Senhor, contudo, disse a Samuel: ‘Não considere sua aparência nem sua altura, pois Eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração’” (1Sm 16:7, NVI).

Na lição 7, mencionamos que todos os objetivos definidos por indivíduos ou igrejas devem ter a possibilidade de avaliação. Embora seja relativamente fácil monitorar e avaliar o crescimento numérico, é verdade que existe mais para a igreja do que números.

É óbvio (ou deveria ser) que não queremos simplesmente encher a igreja de pessoas. Queremos enchê-la de pessoas que estejam crescendo em seu relacionamento com Jesus, que amem o Senhor e que expressem esse amor em obediência aos Seus mandamentos. A última coisa que desejamos fazer é o que Jesus disse que os escribas e fariseus faziam: percorriam “terra e mar” (isto é, se envolviam em esforços missionários) e tornavam os conversos “duas vezes mais filho[s] do inferno do que” eles mesmos (Mt 23:15, NVI). Essa forte reprovação de seus “esforços evangelísticos” nos mostra a importância de dar atenção à avaliação do crescimento espiritual, não apenas dos que trazemos para a igreja, mas também de nós mesmos, de uma forma ainda mais atenciosa.

9. Que disciplinas espirituais são importantes? Por que essas coisas são essenciais para nosso crescimento espiritual? Mt 26:41; 1Ts 5:17; Rm 8:6; Ef 6:17, 18; 2Tm 2:15, 16; Sl 1:2

Sendo pecadores necessitados da graça divina, como podemos avaliar algo tão “intangível” como a espiritualidade dos outros? O fato é que não existe registro de uma escala de espiritualidade que sirva de base para avaliar a consagração pessoal. É, portanto, mais adequado e proveitoso considerar se o cristão está na jornada espiritual, em lugar de determinar em que ponto ele está nessa jornada. As disciplinas espirituais em que nos envolvemos são os sinais de uma jornada espiritual. As coisas listadas nos versos acima certamente são indicadores. No entanto, precisamos ter cuidado com nossa maneira de julgar a experiência dos outros. Ao mesmo tempo, especialmente se estamos lidando com novos membros, devemos, de modo bondoso e amoroso, ajudá-los a entender a importância de práticas como a oração, estudo da Bíblia e obediência para seu crescimento espiritual.

Quinta-feira

Avaliando para o crescimento da igreja

A razão pela qual nossa igreja existe é a mesma pela qual avaliamos. Acreditamos que a Igreja Adventista do Sétimo Dia foi levantada neste momento específico na história da Terra como parte do plano de Deus de levar o evangelho ao mundo. Em outras palavras, existimos para conduzir pessoas para o reino.
10. Que ensinos estão na base da nossa identidade como adventistas do sétimo dia? Ap 14:6, 7
Avaliar o próprio desempenho é um método de se manter fiel à tarefa da maneira mais eficaz possível. Qualquer avaliação do que a igreja faz deve examinar como as estratégias de evangelismo e testemunho estão influenciando o crescimento da igreja. As atividades em que estamos envolvidos estão nos ajudando a alcançar o objetivo da igreja?
11. O que deve estar em primeiro lugar em nossa vida? Como essa verdade deve influenciar a espiritualidade da igreja e a obra de testemunhar e evangelizar? Mt 6:33; 10:7; 24:14; Lc 4:43

O relato do ministério terrestre de Jesus contém numerosas referências à pregação como forma de conquistar pessoas para o reino de Deus. Jesus pregou que o reino de Deus estava próximo. Ele repreendeu os líderes religiosos por tornar difícil a entrada das pessoas no reino de Deus. Ele enviou Seus discípulos para pregar o reino de Deus. Evidentemente, o objetivo primordial de Jesus, dos apóstolos e da igreja era conquistar pessoas para o reino.

Os relatórios dos números de pessoas acrescentadas à igreja e dos templos estabelecidos entre os gentios são evidências de que avaliações foram realizadas em relação à forma pela qual a igreja estava atingindo o alvo do crescimento do reino.

Jesus fez uma declaração muito forte e contundente, ao dizer que, se você não está com Ele, está contra Ele (Mt 12:30), e que se você não ajunta com Ele, espalha. Coloque de lado sua profissão de fé ou seu nome no livro da igreja. Você está ajuntando ou espalhando? Como você justifica sua resposta?

Sexta-feira
Estudo adicional
Já ouviu falar de uma banda de um homem só? Isso ocorre quando uma pessoa toca todos os instrumentos de uma banda. O tambor é amarrado às suas costas e operado por um pedal; os pratos são presos entre os joelhos e assim por diante. Uma “banda de uma só pessoa” ocorre quando uma pessoa desempenha todas as partes.

As pessoas que tentam fazer tudo sozinhas às vezes se queixam da falta de apoio da igreja. No entanto, provavelmente a congregação não foi convidada a se envolver de alguma forma, a não ser no aspecto financeiro.

A seguir estão algumas sugestões de como multiplicar seu ministério envolvendo outras pessoas:

1. Descubra quantas pessoas poderiam participar desse ministério.
2. Defina as áreas que necessitam de ajuda significativa e procure as pessoas essenciais para desempenhar esses papéis principais.
3. Escreva um esboço dos aspectos do trabalho. Isso será útil quando estiver falando com os futuros membros da equipe. Eles serão capazes de compreender exatamente o que se espera deles.
4. Apresente relatórios à igreja. Todos verão que seu ministério é parte da estratégia da igreja. Assim será mais provável que eles se envolvam.
5. Tenha reuniões regulares com a equipe. Reafirme os membros da equipe e avalie o progresso.

Perguntas para reflexão
1. Quando e como você cruza a linha entre a avaliação e o tipo de julgamento contra o qual somos advertidos nas Escrituras?
2. Pense mais nas palavras de Jesus em Mateus 23:15. Como podemos impedir que isso aconteça, especialmente quando novos conversos são com tanta frequência cheios de zelo? Como podemos ter certeza de que o zelo está focalizado na direção certa, de modo que não criemos mais “filho[s] do inferno” em nosso meio?
3. Considere um ministério específico em sua igreja e sugira um bom método de avaliação do programa, do processo e do pessoal.

Respostas sugestivas: 1. Traz informações e orientações que ajudam a melhorar a igreja; avaliação de bispos e diáconos; avaliação das esposas; autoavaliação. 2. Envolvimento dos membros da igreja na obra de fazer discípulos (ensinar e batizar). Devemos avaliar e planejar o crescimento. 3. Devemos aproveitar todas as oportunidades; falar em público e em particular; elogiar por meio de cartas. 4. Devemos considerar os irmãos, reconhecendo suas qualidades e promover seu crescimento no amor, nas boas obras e na comunhão. 5. Deus espera respeito, fidelidade em Seus caminhos, amor, serviço feito com dedicação total e obediência aos Seus mandamentos. 6. “Amarás o Senhor... de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”; Deus deve ser o primeiro. 7. Deus é nosso criador, nosso pai e nosso salvador; por isso Ele pede essas atitudes de nós, como resultado do amor e fé. 8. O amor nos leva a andar em Seus caminhos e nos motiva ao serviço; o povo de Deus guarda os mandamentos e tem a fé em Jesus. 9. Vigiar; orar; interceder pelos irmãos; estudar a Bíblia; falar palavras que edifiquem; meditar sempre na lei de Deus. 10. Evangelho eterno; salvação em Jesus Cristo; adoração ao Criador; observância do sábado; juízo final; segunda vinda de Jesus. 11. O reino de Deus e Sua justiça; a volta de Jesus; se esperamos e acreditamos no reino de Deus, pregaremos essa esperança.